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À BASE DE CERVEJA - A III GUERRA MUNDIAL

Cerveja: Dog in the Fog

Cervejeira: Kompania Piwowarska, Poznań, Polónia

Webpage: http://www.doginthefog.pl/

     
 

A Dog in the Fog, apesar do nome inglês que ostenta, é uma cerveja polaca, criada pela Kompania Piwowarska em 2005. Com cerca de 15 milhões de hectolitros de cerveja produzidos em 2009 este gigante polaco, detido pela SABMiller, é o maior grupo cervejeiro nacional, detendo no seu portfolio as duas marcas mais vendidas no país (Tyskie e Zubr), bem como as habituais cervejas "internacionais" do grupo: Pilsner Urquell, Peroni, Grolsch e Miller.

Esta foi, no entanto, uma cerveja de fugaz presença na Polónia. Lançada em 2005 e tendo como alvo os consumidores mais jovens tinha como características um sabor frutado e uma graduação de 5,1% ABV. Em 2007, tendo em conta os resultados pouco animadores nas vendas, a cerveja foi completamente reformulada trazendo um maior amargor e um reforço na graduação alcoólica para 5,5%. Aparentemente, este esforço não foi suficiente e a cerveja desapareceu em 2009.

É, no entanto, curioso verificar uma estratégia que muitos fabricantes de cerveja utilizam para melhor escoar o seu produto: o aumento do nível alcoólico. Existem vários casos clássicos que vão da Tuborg Royal Danish Strong Beer da minha juventude (que se bebia porque tinha 7,2%), à Belzebuth que, graças ao seus 13º, vendia-se mais do que uma Orval ou uma Triple Karmeliet numa casa da especialidade ali para os lados de Benfica.

É certo que uma boa cerveja não se mede pelo teor de álcool mas, olhando para o top 10 das melhores cervejas do Ratebeer, certamente podemos tirar algumas ilações: a média de graduação é de 11,7% tendo a menos alcoólica uns "meros" 9,5% ABV. Em resumo, desde que haja uma base sólida (malte e lúpulo) e bicharada adequada para a transformar, tipicamente mais álcool poderá querer dizer maior complexidade, melhor cerveja.

Isto não serve, no entanto, de explicação para a guerra em curso para o título de "cerveja mais forte do mundo". Em 1999, Jim Koch criou a Samuel Adams Millennium Ale e foi transposta a "barreira psicológica" dos 20º. Desde a Millenium que a Boston Beer Company tem-nos dado a conhecer, através das Utopias, novos patamares na exploração do teor alcoólico possível de ser atingido, cifrando-se a versão de 2007 em 27% ABV.

Mas eis que em 2009, algures na Baviera, uma pequena cervejeira artesanal, a Schorschbräu, decide pôr em prática a velha fórmula da Eisbock de uma forma extrema. Este estilo de cerveja, reza a lenda, deve o seu nascimento ao acaso. Dois barris de Bock a fermentar passaram, por engano, o Inverno à mercê do gelo. Quando os cervejeiros provaram o seu conteúdo chegaram à conclusão que a cerveja que estava no centro do gelo era mais saborosa e forte. A explicação é simples, como a água congela mais rapidamente do que o álcool aquela parte concentrou a maioria do sabor e do álcool. Assim, graças à múltipla exposição da cerveja a este processo, a Schorschbräu Schorschbock, nasceu com 31% ABV.

Mais para o Norte, em terras normalmente mais conhecidas por outras bebidas de malte, a BrewDog, uma cervejeira artesanal muito pouco convencional em todos os aspectos, estava a ter a vida dificultada pelo governo escocês. Um dos pomos da discórdia foi a BrewDog Tokyo* uma cerveja que, com os seus 18,2º não agradou a várias iniciativas anti-álcool em curso. A resposta da BrewDog não se fez esperar e veio em duas partes: a criação da Nanny State (uma "Imperial Mild" com 1,1%) e da Tactical Nuclear Penguin, a cerveja mais forte do mundo à altura com 32º. E foi aqui que começou a guerra…

Uma pequena cervejeira italiana, a Revelation Cat, conhecida pelas suas ligações com nomes insuspeitos como a Mikkeller, De Molen ou De Proef, entra em campo com a Revelation Cat Freeze the Penguin, um "Ice Roasted Barley Wine" com 35º, decidido a congelar o pinguim escocês.

Entretanto, na Alemanha, a Schorschbräu contra-atacou com uma nova versão da Schorschbock. Resultado: a fasquia subiu para 40% ABV.

Tocados no seu orgulho, a BrewDog retaliou com a Sink the Bismarck, uma referência nada subtil ao afundamento do cruzador alemão Bismarck na 2ª Guerra Mundial. Para ajudar ao politicamente incorrecto ainda fizeram um vídeo promocional que pode ser visto em http://www.youtube.com/watch?v=blxE8SEkqwM 

No meio disto tudo sobrou uma Imperial IPA com 41º e alguns alemães irados que não esperaram muito tempo para se desforrar. Passados 3 meses, em Maio de 2010, a 3ª versão da Schorschbock está novamente no topo. 43º é a marca a bater e desta vez com dedicatória para a Escócia: " Schorschbock 43% Vol, porque os homens da Franconia não se vestem como raparigas".

Resta-nos aguardar pelos próximos episódios desta guerra, sendo que já há boatos que apontam para o envolvimento de outra grande potência, a Bélgica. Eu, pelo meu lado, só estranho os Estados Unidos estarem tão quietos. Mais dia, menos dia, aparece aí o Tio Sam a meter ordem na Europa.

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