vamos falar com... a BRUGE CERVEJARIA
As raízes da Bruge Cervejaria remontam ao ano de 1987, altura em que Itamar Coelho, um aviador aposentado e desde cedo interessado na arte cervejeira, decidiu começar a produzir uma cerveja especial. Localizada na Estância Hidromineral de Águas de Lindóia, interior de São Paulo, o projecto viria a sofrer um novo impulso em 2004, ano em que o seu filho Eduardo, também ele um apaixonado por cerveja, criou o conceito da Cerveja Bruge. A entrevista que se segue procura dar a conhecer um pouco melhor o projecto subjacente a esta cervejaria. Agradeço ainda a simpatia demonstrada pelo Eduardo S. Arantes que desde logo se disponibilizou para responder às nossas questões, dando-nos assim a conhecer a sua visão do mercado cervejeiro, em geral, e da Bruge em particular.

CervejasDoMundo (CdM) - Como surgiu o projecto da Cervejaria Bruge?
Bruge Cervejaria (BC) - Surgiu em 1987 através das viagens de meu pai o aviador Itamar Coelho à Bélgica que, apaixonado pela cultura cervejeira daquele país, resolveu aprimorar seus conhecimentos e por possuir uma propriedade na Estância Hidromineral de Águas de Lindóia desfrutar da água de excelente qualidade para produção de uma cerveja especial, na época chamada D’Kaza e que permaneceu no mercado até 1996, quando encerrou suas atividades. Em 2004 retornei o projeto com novo nome “Bruge” e o mesmo conceito de produção e qualidade
CdM
- Existe muita
diferença entre a Bruge atual e a cerveja D'KAZA, sua
precursora?
BC - A D’Kaza produzia na época apenas cervejas tipo Stout, a qual mantivemos a mesma receita. Porém, desenvolvemos ainda uma Ale e uma Bitter Ale.
CdM - A escolha de Águas de Lindóia - SP foi um mero acaso ou a existência de água de grande qualidade nessa zona influenciou a localização da companhia?
BC - Após análises da água, foi concluído que seria ideal para produção deste estilo de cervejas.
CdM - Curiosamente, vocês não produzem o estilo que é mais consumido no Brasil, as Lager, nomeadamente no seu formato Pilsner ou Pale Lager. É uma opção a manter? Teve alguma coisa a ver com a sua formação cervejeira na Europa?
BC - Sim, decidimo-nos especializar apenas em cervejas de alta fermentação. Como no Brasil prevalece o mercado das cervejas de baixa fermentação, achamos importante divulgar outro segmento de cervejas.
CdM - Actualmente a Bruge produz uma Stout, uma Ale e uma Bitter Ale, mas, segundo creio, só em formato garrafa. Há planos para produzir outros estilos de cerveja e outros formatos (barril)?
BC - No futuro serão lançados outros estilos, mas sempre de alta fermentação, mesmo processo de fabricação e sempre engarrafadas, para melhor distribuição nos pontos venda.
CdM - Apesar de recente, a Bruge já tem uma boa distribuição em certas zonas do país, nomeadamente nos estados de São Paulo, Minas Gerais, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Paraná e para o resto do Brasil através dos sites da Imigrantesbebidas, Costibebidas e Cervejasnet. Essa área de distribuição é para alargar ou o importante agora é crescer nos locais onde já estão implantados?
BC - Estamos ampliando as vendas nestas e outras regiões, visando com isso uma divulgação cada vez maior da cultura cervejeira no Brasil.
CdM - Quais as maiores dificuldades que sentiu para criar um projecto como a Bruge?
BC - A maior dificuldade foi no aspecto cultural, pois, em um país onde a cultura é voltada às cervejas industriais do tipo pilsen e com preços populares, foi muito difícil introduzirmos um novo estilo de cervejas e com preços mais elevados. Também a falta de incentivo do governo às micro cervejarias e a cobrança dos mesmos impostos para os pequenos empreendedores.
CdM - Quais são as suas referências no capítulo das cervejas? Existe algum estilo de cerveja que você gostasse de ver na gama das cervejas Bruge?
BC - Temos como referência as cervejas belgas e será lançada em um futuro breve uma Red Ale e uma cerveja de trigo.
CdM - O Brasil está a seguir, em ritmo acelerado, o fenómeno que já vinha acontecendo nos E.U.A há alguns anos, isto é, o forte crescimento do mercado das cervejas artesanais e uma maior consciência das pessoas em relação à qualidade de uma cerveja. Acha que é uma tendência que se irá manter?
BC - Sim, as pessoas têm exigido cada vez mais produtos de qualidade e para isso têm ampliado os seus conhecimentos cervejeiros, e com a divulgação da cultura cervejeira a tendência é aparecer cada vez mais novas marcas de cervejas artesanais no mercado. Mesmo com a Inbev introduzindo marcas especiais, sempre haverá espaço para as artesanais nacionais de boa qualidade.
CdM - O sucesso da Bruge pode levá-la, em última análise, a aguçar o apetite das grandes empresas como aconteceu no caso Devassa/Baden-Baden que foram adquiridas pela Schincariol. Acha que é uma situação que poderá vir a acontecer e como reagiria a ela?
BC - As grandes empresas têm encontrado nesse mercado especial de cervejas um futuro realmente promissor e isso tem aguçado muito o interesse delas sobre as pequenas cervejarias. Isso é um fato que poderá vir a acontecer com a Bruge, mas, ainda é muito cedo para pensarmos nisso, pois, temos projetos para serem realizados.
CdM - Vocês procuram seguir a Reinheitsgebot (Lei da Pureza alemã) ou, se tivessem que adicionar algo à vossa cerveja para que esta soubesse melhor, não hesitariam?
BC - Seguimos a Lei da Pureza, já que a adição de componentes químicos comprometeria a qualidade do nosso produto e fugiria do nosso estilo de fabricação.
CdM - Muitos cervejeiros artesanais se queixam da falta de certos ingredientes e maquinaria no mercado brasileiro. Têm facilidade em comprar, por exemplo, lúpulo e malte no mercado nacional ou costumam recorrer à importação?
BC - Ainda há dificuldade de se encontrar os insumos utilizados, é preciso recorrer à importação.
CdM - Como mestre-cervejeiro, considera qua a opinião dos outros é de grande importância ou, em última análise, a cerveja tem que agradar primeiro a si?
BC - O mestre-cervejeiro quer sempre que seu produto agrade à maioria das pessoas, se percebermos que o mercado pede alguma alteração viável no nosso produto, certamente a faremos.
CdM - Tem alguma marca de cerveja que goste especialmente de tomar, descontando a Bruge, claro?
BC - A Straffe Hendrik Blond, a Trappístes Rochefort e a Duvel.
CdM - Uma palavra para definir a: Bruge Ale; Bitter Ale; Bruge Stout.
BC - Bruge Ale, refrescante. Bruge Bitter Ale, marcante. Bruge Stout, especial.
CdM - Planos, projectos, sonhos para o futuro da Bruge Cervejaria?
BC - Ampliação da fábrica, área para degustação, aumento da produção e reconhecimento do nome como uma cerveja artesanal de excelente qualidade.
Para saberem mais sobre a Bruge Cervejaria, podem ir ao site da companhia clicando aqui ou então leiam um pequeno resumo da história da empresa na nossa página História da Cerveja no Brasil 5.

