cervejas especiais
Há, nas milhares de marcas que existem no mercado, algumas cervejas que podemos designar por especiais. E se é verdade que todas as cervejas são especiais, também não é mentira dizer-se que há umas mais especiais do que as outras. É dessas que falamos aqui. A maior parte delas não são típicas cervejas do dia-a-dia e muito dificilmente teremos capacidade ou mesmo vontade para beber duas, três ou quatro seguidas, como fazemos com as nossas imperiais. O seu sabor intenso e a forte presença de álcool aconselham a que sejam bebidas com moderação e de modo a podermos usufruir de todas as suas qualidades. São o caso das Abbey Dubbel ou Tripel, das Belgian Strong Ale ou das Imperial Stout. As restantes estão incluídas neste grupo devido ao seu processo de fabrico ser diferente do normal (Ice Beer ou Low-Alcohol) ou por terem ingredientes específicos próprios daquele género (Belgian Witbier ou Berliner Weisse).

Abbey Dubbel -
A
Dubbel é uma cerveja escura, muito rica em malte e
medianamente alcoólica, já
que não costumam ultrapassar os 9% ABV. Menos frutada que a Belgian Strong Dark
Ale, possui, em contraparida, corpo complexo e uma boa presença de gás. Tal como
o nome indica, são cervejas feitas seguindo a tradição de abadias e mosteiros,
apesar de haver na actualidade muitas fábricas que tentam imitar essas
características com algum sucesso. Acompanham bem queijos, chocolates, bifes e
caça. A experimentar:
Corsendonk Pater (Abbey Brown Ale);
St. Feuillien Brune;
Westmalle Dubbel.
Abbey Tripel -
A expressão Tripel ou Triple refere-se a uma parte do
processo de fabricação da cerveja no qual o mestre cervejeiro utiliza,
aproximadamente, três vezes mais malte do que uma cervaja trapista "simples".
Tradicionalmente, são de cor amarelo-claro a dourado, isto é, l
igeiramente mais
escuras do que uma pilsner. A espuma
deverá ser grande, densa e cremosa e o
volume de álcool oscilará entre os 8 e os 12% ABV. O aroma e o sabor são
complexos, com forte presença de frutos, especiarias e álcool. Têm um carácter
ligeiramente adocicado que lhes é dado não só pelo álcool, como também pela
adição de pequenas quantidades de açucar. Apesar disso, são cervejas muito bem
equilibradas devido ao uso criterioso de lúpulo e de fermento. Este é um estilo
que aprecio particularmente, até mesmo quando comparado com as Dubbels. No
entanto, gostaria de destacar que é preciso um certo cuidado ao beber cervejas
deste tipo: o seu excepcional sabor e aroma tornam-as extremamente apetecíves e
fáceis de beber. Todavia, não nos devemos esquecer que estamos na presença de
uma bebida que pode ter 12% de volume alcoólico pelo que se aconselha alguma
moderação quando em presença de uma Abbey Tripel. A experimentar:
Tripel Karmeliet;
De Dolle Dulle Teve 10º (Mad Bitch);
St. Feuillien Triple.
Abt/Quadrupel -
Abt ou Quadrupel são os termos utilizados para designar cervejas de abadia ou
trapistas extremamente fortes. O nome Abt foi usado pela primeira vez para
descrever a Westvleteren e a St.
Bernardus, ambas
produzidas pelo mosteiro de St.
Sixtus. Relativamente ao termo Quadrupel, a La Trappe foi a primeira cerveja a
fazer uso dessa expressão. Independentemente destas designações serem
frequentemente utilizadas para designar um só estilo, há ligeiras diferenças
entre elas. De facto, as Abts são mais escuras e mais ricas, com forte presença
de especiarias e frutos. Já as Quads são mais claras tendo, em geral, um sabor
menos frutado e complexo. Em comum, têm o facto de possuírem uma forte presença
de malte e uma baixa presença de lúpulo. De igual modo, o volume alcoólico é
alto em ambos os estilos, ultrapassando com frequência os 10% ABV. A
experimentar:
Westvletern Abt 12;
St.
Bernardus Abt 12;
La
Trappe Quadrupel.
American Wheat - São uma versão americanizada das Hefeweizens
sendo que,
tal como estas, variam do amarelo-claro até ao âmbar-claro. São cervejas leves,
com bom nível de gás e volumosas formações de espuma. Não apresentam um sabor a
fruta - nomeadamente a banana - tão forte como as suas congéneres alemãs, sendo
que por isso o lúpulo ganha um realce suplementar. Em termos alcoólicos, variam
entre os 4,0 e os 7% ABV. São excelentes para acompanhar bifes, queijos e
saladas. A experimentar:
Three Floyds Gumballhead;
Karl Strauss Windansea Wheat Hefeweizen;
Sacramento Hefe Weizen.
Belgian Strong Ale - Belgian Strong Ale é um termo genérico que tanto pode
designar cervejas claras como escuras. Em geral, são produzidas na Bélgica e têm
alto teor de álcool, que pode variar entre os 7 e os 12%.
São cervejas
complexas, fortes, com bom aspecto (em particular a espuma) e muito saborosas.
São igualmente bem equilibradas, já que o elevado teor alcoólico é muito bem
balancado com aromas e sabores a especiarias e frutos. A Duvel, uma marca bem
distribuida e, portanto, existente nalguns supermercados portugueses, é uma
referência neste estilo, pelo que se tiver oportunidade de experimentar, não
hesite. Curiosamente, o nome Duvel - uma referência ao diabo - foi também
imitado por muitas outras marcas surgindo então a Satan, a Judas, a Belzebuth, a
Lucifer, entre outras. A experimentar:
Duvel;
Bush Ambrée;
Affligem Blond.
Belgian Witbier -
Trata-se de um estilo de cerveja bem antigo, com mais de 400 anos de idade e que
quase tinha desaparecido na década de
50 do século passado. Felizmente, a
fábrica Hoegaarden reavivou o estilo, muito por influência de Pierre Celis.
Desde então, a popularidade das Witbiers belgas tem crescido constantemente pelo
que é habitual surgirem com frequência novos produtos no mercado. São de cor
bastante pálida, opacas e bastante refrescantes, característica que lhes são
transmitidas pelo trigo e também pelos sabores a limão e casca de laranja que
costumam apresentar. Sâo excelentes para acompanhar queijos ou mexilhões. As
Witbier são um género frágil e não muito dado a grandes envelhecimentos, pelo
que quanto mais novas e menos manuseadas, melhor. A experimentar:
Hoegaarden White;
Brugs
Tarwebier;
Celis White.
Berliner Weisse - Bastante amargo e com forte sabor a trigo, o estilo
Berliner não é muito alcoólico, apesar de possuir um carácter bem vincado. De
facto, a acidez costuma ser tão alta que é frequente os produtores utilizarem
xaropes de fruta ou outros adoçantes para cortar essa característica. É claro
que os mais puristas preferem beber este estilo ao natural, isto é, sem adição
de açucar ou de qualquer outro produto. Asim tomada, torna-se uma cerveja
complexa, multi-facetada e extremamente refrescante. A experimentar:
Dieu
du Ciel Solstice d'Été aux Framboises;
Schultheiss Berliner Weisse Original;
Berliner Kindl Weisse.
Bière de Champagne/Bière Brut -
Estilo muito recente e bastante interessante, as Bière de
Champagne apresentam um grande potencial
dentro da indústria cervejeira, já que
são produtos da gama elevada, com excelente apresentação e que funcionam como
ponte de ligação entre a cerveja e o champanhe, dando assim origem a um artigo de
luxo. A sua produção iniciou-se na Bélgica país que, de facto, é a origem de
muitos dos melhores estilos de cerveja. São sujeitas a longos processos de
maturação e, algumas, chegam mesmo a ser envelhecidas em caves na região de
Champagne, passando então pelo "methode de champenoise", processo em que o
fermento é removido da garrafa. Muito delicadas, com alto teor de álcool e de
gás, costumam apresentar-se em garrafas idênticas às de champanhe, com rolha,
arame e, por vezes, dentro de caixas. A experimentar:
DeuS (Brut des Flandres);
Malheur Bière Brut (Reserve);
Wieckse Brut.
Dry Stout - É um dos estilos mais comuns de Stouts, sendo muitas vezes
também denominado de Irish Dry Stout. Na maior parte dos casos, são
cervejas
algo leves e menos complexas que outros géneros de Stouts, sendo assim
fabricadas para poderem ser consumidas em massa. Tal como se pode observar num
típico bar irlandês, são servidas de uma forma especial, usando nitrogénio, para
que possam ganhar uma espuma durável e extremamente cremosa. No entanto, tal
retira-lhes algum aroma e sabor, bem como gás. Possuem uma forte presença a
malte torrado e, em menor quantidade, a lúpulo, o que lhes dá uma certa acidez
ao sabor. As marcas mais representativas deste estilo são, sem dúvida, a
Murphy's, a Beamish e a Guinness, apesar de haver excelentes exemplares de Dry
Stouts americanos. A experimentar:
Guinness Draught;
Beamish
Irish Stout;
Murphy's
Irish Stout.
Dunkelweizen -
Variação escura das típicas cervejas de trigo alemãs, as Dunkelweizen mantêm, no
entanto, o característico sabor a banana e
limão, apesar de
também podermos apreciar no palato a
presença de chocolate e de cereais torrados, provenientes da adição de malte
escuro. São cervejas bastante equilibradas, ficando a meio termo entre as
robustas e invernais Weizenbocks e as leves e refrescantes Hefeweizens.
Habitualmente, o teor de álcool varia entre os 4,8 e os 5,6%, sendo que a
quantidade de gás pode ser elevada, ao contrário do carácter amargo que não é
muito substancial. Estas cervejas podem criar algum resíduo, pelo que é
aconselhável rodá-las ligeiramente antes de servir. A experimentar:
Franziskaner Hefe-Weissbier Dunkel;
Victory Sunset Dunkelweizen;
Andechser Dunkles Weissbier.
Foreign Stout -
A expressão Foreign Stout começou a ser utilizada na
Guinness Foeign Extra Stout (FES). Esta, era
uma versão mais forte e
com mais
lúpulo da clássica Guinness Extra Stout, assim produzida para suportar as longas
viagens até às antigas colónias britânicas. De facto, a FES ainda existe
produzida localmente em muitas dessas antigas províncias inglesas como sejam a
Jamaica, o Sri Lanka ou a Nigéria. São produtos de boa qualidade, similares à
original, mas que apresentam já algumas características inerentes ao próprio
local onde são produzidas. As Foreign Stouts encontram-se a meio caminho entre
as Stouts normais e as Imperial Stouts. São mais doces que uma Stout mas menos
robustas e complexas que uma Imperial. O volume de álcool pode variar entre os 6
e os 8% ABV. Também podem ser designadas por Export Stout. A experimentar:
Guinness Foreign Extra Stout;
De Dolle Extra Export Stout;
Lion Stout.
German Hefeweizen - É um estilo de cerveja de trigo (wheat beer ou weissbier)
oriundo do sul da Alemanha, com forte presença de frutos no aroma e sabor,
nomeadamente banana e maça. O volume alcóolico anda
por volta dos 5 a 7%, sendo
que as Hefeweizen são bastante refrescantes apesar de não muito ácidas. O
prefixo "Hefe" significa algo similar a "com fermento" pelo que estas cervejas
se apresentam, em geral, opacas e não filtradas. Se servidas num tradicional
copo de Weizen, as Hefe produzem abundante espuma e ficam com excelente
aparência. Relativamente a este tipo de cerveja há que ter um aspecto em
atenção. É habitual servirem-nas com uma rodela de limão, seja isso para cortar
o sabor do trigo ou do fermento. Recuse uma cerveja servida desse modo, pois o
limão apenas altera o sabor desta, para além de dificultar a formação de espuma.
As Hefeweizen não são propriamente 7 Up's! A experimentar:
Franziskaner Hefe-Weissbier;
Paulaner Hefeweissbier;
Weihenstephaner Hefe Weissbier.
German Kristallweizen - A Kristallweizen é, muito simplesmente, uma
Hefeweizen
filtrada. Isso faz com que seja uma cerveja clara e límpida, com cores que vão
desde o amarelo-claro até ao âmbar-claro. Por vezes, e de modo depreciativo, são
conhecidas como as "Hefeweizen castradas". Não partilho dessa opinião apesar de
muitos exemplares que podemos encontrar no mercado terem uma certa falta de
personalidade. Para além disso, são ligeiramente mais suaves do que as Hefe, com
sabor e aroma mais atenuados. Acompanham bem saladas e pratos vegetarianos. A
experimentar:
Tucher
Kristall Weizen;
Allgauer Furstabt Kristallweizen;
Weihenstephaner Kristallweissbier.
Ice Beer - A
elaboração da Ice Beer implica baixar a temperatura da cerveja até que se
comecem a formar cristais de gelo. Posteriormente, o líquido é filtrado e, como
a água congela antes do álcool, o resultado é
uma bebida com maior
teor
alcoólico. Como o gelo também se forma à volta das células do fermento e das
partículas de proteínas, estas ficam igualmente retidas na filtragem sobrando,
no fundo, uma cerveja com menos componentes mas, teoricamente, com mais sabor e
volume alcoólico. Este processo não é novo na indústria cervejeira já que as
Eisbocks são elaboradas segundo um método semelhante. Contudo, esta corrente
moderna de produção e consumo de cervejas Ice foi iniciada pela Labatt, empresa
que serviu de exemplo para muitas outras cervejeiras, especialmente
norte-americanas. A grande diferença entre uma Eisbock e uma Ice Beer reside no
carácter de cada estilo. O problema duma Ice Beer é que nunca será melhor do que
a cerveja que lhe deu origem e, infelizmente, as cervejas que são utilizadas
para isso nunca são de grande qualidade. Pelo contrário, as Eisbock têm origem
em cervejas de qualidade e de forte carácter, pelo que o resultado final
continua a ser bastante bom. A experimentar:
Labatt
Ice;
Genny Ice Beer;
Carlsberg Ice.
Imperial Stout -
Também conhecidas por Russian Imperial Stouts, estas
cervejas são consideradas unanimemente
como as rainhas das Stouts. A
origem do
nome remonta à época em que as cervejeiras inglesas elaboravam produtos de forte
carácter, com intenso sabor a malte torrado e a lúpulo, destinadas aos países
bálticos e à Rússia, onde eram muito apreciadas pela Corte Imperial. Para
suportar as viagens, essas bebidas possuíam igualmente um elevado teor de
álcool, com percentagens que variavam - e variam - entre os 8 e os 12% ABV. Como
características apresentam pouco gás, forte sabor a chocolate e a malte torrado,
cor muito escura e grande complexidade. Uma boa Imperial Stout é uma excelente
companhia para um prato de queijo, chocolate negro ou melão. Apesar de poder
alterar o aroma e sabor da cerveja, pode também experimentá-la com uma boa
cigarrilha ou charuto. A experimentar:
Three Floyds Dark Lord Russian Imperial Stout;
Victory Storm King Imperial Stout;
Stone
Imperial Russian Stout.
Low Alcohol - As
cervejas sem álcool ou de baixo teor alcoólico são uma novidade algo recente no
mercado das bebidas, mas com tendência a crescerem em termos de vendas devido às
restrições ao consumo de
álcool quando se conduz. Na maior parte dos casos, o
termo sem álcool não se deveria utilizar pois a maior parte destas cervejas têm
uma determinada quantidade alcoólica, apesar da mesma poder ser residual. A
obtenção deste estilo pode ser feita de duas maneiras: através de um processo de
fermentação e elaboração muito cuidado, onde se evita a formação de álcool ou
então utiliza-se um sistema de extracção do álcool da bebida, fazendo esta
passar por uma membrana permeável especial. São, no seu global, cervejas muito
leves em aroma, sabor e corpo. A característica que as reúne sobre a mesma
denominação é o facto de terem menos de 3% ABV. A experimentar:
Bitburger Light;
Jansen Preta Sem Álcool;
Cheers Sem Álcool.
Porter -
Muitas vezes confundidas com Stouts, as Porters têm uma
personalidade única e muito vincada. De facto, este estilo bastante antigo vem
já referido num documento do século XVIII, onde se dizia que
as Porters eram o
resultado da mistura de três tipos de cerveja: uma Old Ale, uma New Ale e uma
Weak One (Mild Ale). Desta combinação resultaria uma bebida a que os ingleses
chamavam de "Entire Butt" ou "Three Threads", que tinha como objectivo agradar a
um vasto público, grande parte dele constituído por trabalhadores das inúmeras
indústrias surgidas após a Revolução Industrial. Apesar do expressivo sucesso
que conheceu nessa altura, no início do século XX era quase um estilo em vias de
extinção, muito ultrapassado, em termos de consumo, pelas Stouts. O seu regresso
só se deu durante os anos 70 e 80 do século passado, altura em que houve um
grande surgimento de pequenas industrias produtoras de cerveja artesanal,
nomeadamente nos EUA. De cor escura e bastante maltadas, podem possuir um
carácter algo doce, mesmo que não muito acentuado. A experimentar:
Fuller's London Porter;
Samuel Smith's Famous Taddy Porter;
Meantime London Porter.
Roggenbier/German Rye Beer - Esta cerveja especial, originária da
cidade alemã de
Regensburg, na Baviera, é uma variante de luxo das Dunkelweizen que, em vez de
utilizar trigo como estas, utiliza malte de centeio, o que as torna distintas e
muito saborosas. A aparência vai da cor de cobre até ao castanho e a espuma
costuma ser volumosa e algo duradoura. Relativamente ao álcool, não é muito
pronunciado, variando entre os 4,5 e os 6% ABV. A característica que mais se
salienta neste tipo de cervejas é mesmo o seu sabor a centeio, sendo que por
vezes pode parecer que estamos a beber pão liquido! A experimentar:
Paulaner Roggen;
Burgerbrau Wolnzacher Roggenbier;
Schremser Roggenbier.
Stout - Muitas Stouts não se encaixam na definição clássica deste
estilo, representada basicamente pelas Irish Stouts e pela mundialmente famosa
Guinness. A diferença poderá estar na cor, quantidade de lúpulo ou malte. No
entanto, tais alterações não são suficientes para essas que essas cervejas sejam
englobadas nas Dry ou nas Imperial. São, na sua essência, simples Stouts. De cor
castanho-escuro a preto, sabor a café, chocolate ou cereais torrados, álcool
entre os 4 e os 7% ABV e um corpo não muito complexo, são um excelente
substituto para aqueles dias em que não lhe está a apetecer beber a tradicional
imperial. A experimentar:
Freeminer Deep Shaft Stout;
Titanic Stout;
Super Bock
Stout.
Trappiste - As
cervejas trapistas não são propriamente um estilo, já que podem ser englobadas
nas Abbey Dubbel ou Abbey Tripel ou mesmo nas Quadrupel, conforme a marca e o exemplar que estejamos a
degustar. No entanto, sendo este o meu estilo preferido e dadas as limitações
impostas a uma cerveja para que possa utilizar o selo trapista, decidi
separá-las para ter um pouco mais de espaço para falar delas. As ordens
trapistas tiveram origem no mosteiro cisterciense de La Trappe, França. A sua
influência alargou-se a muitos outros países europeus, tendo posteriormente
surgido novos mosteiros que seguiam as restritas regras desta ordem religiosa.
Em 1997, oito abadias trapistas - 6 da Bélgica (Orval, Chimay, Westvleteren,
Rochefort, Westmalle e Achel), 1 da Holanda (Koningshoeven) e 1 da Alemanha (Mariawald)
- fundaram a ITA (International Trappist Association), com o propósito de
definir as regras do estilo e proteger o nome do uso abusivo por parte de outras
marcas. Para isso, esta associação criou um selo que só pode ser utilizado pelos
produtos que seguem os critérios estabelecidos e que sejam elaborados por monges
trapistas, sejam esses produtos queijos, cervejas ou vinhos. Não me querendo
alongar muito mais, já que o objectivo deste espaço não é explicar todos os
aspectos de todos os estilos de cerveja mas apenas fazer uma breve introdução as
características que os permitem diferenciar, deixo aqui este
link que explica sucintamente este estilo, as sua origens e história
recente. A experimentar:
Orval;
Chimay
Blue;
Westvleteren Abt 12;
Westmalle Tripel;
Achel 8 Blond;
Rochefort Trappistes 10.
Weizenbock -
Basicamente, é uma Dunkel Weizen mais forte (em teoria,
tão forte como uma Bock), com boa
presença de álcool e especiarias e,
logicamente, maior sabor a malte, factor que contribui para a sua cor
escura. A
sua origem remonta à cervejeira alemã Schneider & Sohn que, em 1907, criou uma
doppelbock de trigo mais forte e saborosa, a Schneider Aventinus. Esta excelente
cerveja, ainda disponível nos dias que correm, possui todas as características
que formatam este estilo, sendo por isso o farol de referência para todas as
outras Weizenbock. Relativamente aos ingredientes, utiliza-se uma grande
percentagem de trigo maltado (segundo a lei alemã, tal cereal deverá
corresponder a 50% do total, apesar de, em certas marcas, tal chegar aos 70%). O
restante é composto por malte de cevada. O volume de álcool varia entre os 6,5 e
os 8%. A experimentar:
Schneider Aventinus;
Hacker-Pschorr Weiss Bock;
Erdinger Pikantus.
