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A CERVEJA E A DIABETES

A cerveja tem desempenhado desde a Antiguidade um papel de especial relevo em muitas sociedades. O consumo moderado de cerveja pode trazer benefícios significativos à nossa saúde e a diabetes nem sempre é uma doença impeditiva de um consumo moderado de álcool. Todavia, caso seja uma pessoa a quem tenha sido diagnosticado diabetes, é importante que discuta com o seu médico de clínica geral ou com um endocrinologista quais os efeitos que o álcool poderá trazer à sua condição e qual é a quantidade que poderá consumir de modo seguro.

A diabetes é uma doença que resulta de uma deficiente capacidade de utilização pelo nosso organismo da nossa principal fonte de energia – a glucose. Muitos dos alimentos que ingerimos são transformados em glucose no nosso aparelho digestivo. Ela resulta da digestão e transformação dos amidos e dos açúcares da nossa alimentação. Depois de absorvida, entra na circulação sanguínea e está disponível para as células a utilizarem. Para que a glucose possa ser utilizada como fonte de energia, é necessária a insulina.

A hiperglicemia (açúcar elevado no sangue) que existe na Diabetes deve-se em alguns casos à insuficiente produção, noutros à insuficiente acção da insulina e, frequentemente, à combinação destes dois factores. Se a glucose não for utilizada, acumula-se no sangue (hiperglicemia) sendo depois, expelida pela urina. A insulina é produzida nas células ß dos ilhéus de Langerhans do pâncreas. O pâncreas é um órgão que está junto ao estômago e fabrica muitas substâncias, entre elas a insulina. A insulina é fundamental para a vida. A sua falta ou a insuficiência da sua acção leva a alterações muito importantes no aproveitamento dos açúcares, das gorduras e das proteínas que são a base de toda a nossa alimentação e constituem as fontes de energia do nosso organismo.

Pirâmide Alimentar para Diabéticos

 

Existem vários tipos de Diabetes mas, de longe, a mais frequente (90% dos casos) é a chamada Diabetes Tipo 2.

O que é a diabetes de tipo 2?

A Diabetes Tipo 2 também conhecida como Diabetes Não-Insulino Dependente, ocorre em indivíduos que herdaram uma tendência para a Diabetes (têm, frequentemente, um familiar próximo com a doença: pais, tios, ou avós) e que, devido a hábitos de vida e de alimentação errados e por vezes ao “stress”, vêm a sofrer de Diabetes quando adultos. Quase sempre têm peso excessivo e em alguns casos são mesmo obesos, sobretudo “têm barriga”. Fazem pouco exercício físico e consomem calorias em doces e/ou gorduras em excesso, para aquilo que o organismo gasta na actividade física. Têm, com frequência, a tensão arterial elevada (hipertensão arterial) e por vezes “gorduras” (colesterol ou triglicéridos) a mais no sangue (hiperlipidemia). Na diabetes tipo 2 o pâncreas é capaz de produzir insulina. Contudo, a alimentação incorrecta e a vida sedentária, com pouco ou nenhum exercício físico, tornam o organismo resistente à acção da insulina (insulinorresistência), obrigando o pâncreas a trabalhar mais (e mais), até que a insulina que produz deixa de ser suficiente. Nessa altura surge a Diabetes. O excesso de peso e a obesidade estão intimamente relacionados com a diabetes. A redução do peso contribui, nestas situações, de uma forma muito sensível para o controlo da glicemia. Mesmo uma pequena diminuição do peso tem reflexos benéficos na glicemia. As pessoas com diabetes tipo 2 têm frequentemente insulinorresistência. O excesso de gordura, sobretudo abdominal, contribui para esta insulinorresistência e, consequentemente, para o aumento da glicemia.

O que é a diabetes de tipo 1

A Diabetes Tipo 1, também conhecida como Diabetes Insulino-Dependente é mais rara (a sua forma juvenil não chega a 10% do total) e atinge na maioria das vezes crianças ou jovens, podendo também aparecer em adultos e até em idosos. Na Diabetes do Tipo 1, as células ß do pâncreas deixam de produzir insulina pois existe uma destruição maciça destas células produtoras de insulina. As causas da diabetes tipo 1 não são, ainda, plenamente conhecidas. Contudo, sabe-se que é o próprio sistema de defesa do organismo (sistema imunitário) da pessoa com Diabetes, que ataca e destrói as suas células. Estas pessoas com Diabetes necessitam de terapêutica com insulina para toda a vida porque o pâncreas deixa de a poder fabricar. A causa desta Diabetes do tipo 1 é, pois, a falta de insulina e não está directamente relacionada com hábitos de vida ou de alimentação errados, ao contrário do que acontece na diabetes Tipo 2.

O álcool e a diabetes

O álcool move-se muito rapidamente no nosso sistema circulatório sem chegar a ser metabolizado no nosso estômago. Ao bebermos uma bebida alcoólica, após cinco minutos já podemos encontrar traços de álcool no nosso sangue. Trinta a noventa minutos após termos tomado a bebida o álcool encontrar-se-á no seu nível mais alto. É verdade que o nosso fígado faz grande parte do trabalho mas é preciso dar-lhe tempo. Se se beber uma quantidade significativa de álcool, tal impossibilita o fígado de o metabolizar atempadamente, fazendo com que o excesso entre no sistema circulatório e afecte todo o nosso organismo, em especial as células cerebrais.

Caso tenha diabetes, quando bebe álcool corre o risco de ficar com baixos níveis de açúcar no sangue. Por conseguinte, e para se proteger, nunca beba álcool com o estômago vazio. Planeie tomar a sua bebida junto com a refeição ou após ter comido qualquer coisa. O risco aumenta se misturar álcool e exercício físico. Isso acontece pois a actividade física ajuda a baixar os níveis de açúcar, algo que é aumentado, como já vimos, pelo álcool. Vejamos este exemplo: imagine que foi jogar uma partida de ténis e que em seguida toma uma cerveja. Apesar do exercício físico já ter terminado, o organismo continua em plena actividade, visto estar a repor a energia que os músculos consumiram. Para o fazer, retira a glicose do sistema circulatório, transferindo-a para a reserva muscular o que, como é óbvio, baixa os níveis de açúcar.

Dito isto e considerando que tomou a decisão de, de quando em vez, tomar uma bebida alcoólica, deve considerar os diferentes tipos de produtos que existem no mercado. Assim, há que ressalvar que existem bebidas que são mais aconselháveis para os diabéticos. Tente seleccionar bebidas que tenham baixo teor de álcool e de açúcares. Se gosta de beber cocktails e misturar bebidas, opte por produtos sem açúcar, casos dos refrigerantes sem açúcar, usualmente denominados de “diet” ou “0% sugar”. Isto ajudará a manter os seus níveis de açúcar dentro dos parâmetros pretendidos. Deve-se ressalvar que, especialmente nos EUA, existe uma grande polémica em volta do aspartame - o substituto do açúcar nas bebidas diet - e do seu efeito nefasto (ou não) nas pessoas em geral e em especial nos diabéticos. É algo a que deverá estar atento e que, mais uma vez, o seu médico o poderá aconselhar. Já na gama das cervejas prefira as light, com baixo teor de álcool e de carbohidratos. Atenção que muitas cervejas ditas sem álcool podem conter mais açúcares do que uma cerveja normal, pelo que é importante verificar sempre a quantidade de açúcares presentes, caso essa informação esteja disponível. São também de evitar as cervejas escuras, cervejas de fruta e algumas cervejas especiais, visto os teores de açúcar serem, em geral, mais elevados que na habitual “loira”, isto é, a pilsner clássica.

Conclusão: sim, um diabético pode, em geral, beber cerveja, desde que o faça com grande moderação e depois de se ter aconselhado com o seu médico. Há mesmo diabéticos que devem abster-se por completo da ingestão de bebidas alcoólicas. Sendo uma fonte de carbohidratos, cada cerveja que se beba deve ser contabilizada na dieta planeada para esse dia. Nos EUA já existem cervejas chamadas Low Carb, isto é, com baixo teor de carbohidratos. Não tendo a certeza da quantidade de açúcar presente numa cerveja, o melhor é não arriscar. De facto, quase todas as cervejas têm açúcar, caramelo ou qualquer outra fonte de glicose. 

Eis um teste simples, sem grande rigor científico, que lhe indica o risco de ter ou de vir a ter diabetes:

http://www.checkup.med.br/nuke/modules.php?name=Teste_Diabetes

Muito importante: esta informação pretende apenas abordar o delicado assunto do consumo de álcool por diabéticos. Não substitui o aconselhamento médico, razão pela qual sugerimos que, antes de decidir se pode ou deve tomar bebidas alcoólicas, consulte o seu médico de clínica geral, um nutricionista ou o médico que habitualmente o acompanha.

Fontes:

Actualização: um recente estudo científico sugere que alguns componentes do lúpulo podem ter efeitos benéficos na diabetes. Para lerem mais sobre o assunto acedam a: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/19395131

Publicado a 27/06/2008

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