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história da cerveja - em portugal

A história da cerveja em Portugal é já bastante antiga. Muitas tribos que por aqui passaram produziam bebidas que, poderemos considerar, eram parentes afastadas das cervejas. Estudos arqueológicos recentes demonstram que os Lusitanos, povos pré-romanos que habitaram a Península Ibérica, viviam essencialmente de uma agricultura rudimentar, do pastoreio e da recolha de produtos que a natureza oferecia. Como relatou Estrabão, alimentavam-se de carne de cabra e faziam pão de lande (fruto do sobreiro), e não de cereais; usavam manteiga em vez de azeite, bebiam água e uma espécie de cerveja de cevada, pois o vinho era apenas usado em festins. Após a derrota dos Lusitanos e de outras tribos que habitavam a Península Ibérica pelos conquistadores Romanos, a história da cerveja passa por um período de obscurantismo pois, como já fizemos referência na história da cerveja na Antiguidade, os romanos davam preferência ao vinho. Só com a queda do Império Romano do Ocidente e a chegada dos povos bárbaros, como Suevos, Alanos e Visigodos, se voltou a consumir cerveja, ou algo com ela parecido, em quantidades significativas. A passagem dos Árabes pela Península Ibérica não trouxe grandes novidades à produção de cerveja. Só com a conquista levada a cabo por D. Afonso Henriques e terminada pelos seus descendentes, se implantou uma cultura que possibilitava a produção e consumo de cerveja. Muito das vitórias que os nossos reis obtiveram se ficou a dever à ajuda de nobres estrangeiros que, vindo atrás de fama e riqueza, lutaram ao lado dos primeiros portugueses na conquista de terra aos mouros. Após as batalhas, os reis davam parcelas de terra a esses nobres para que aí se fixassem e começassem o repovoamento e aproveitamento agrícola. Ora, sendo muitos deles originários da Europa Central, não é de estranhar que cultivassem cereais que seriam posteriormente utilizados na produção de cerveja.

As referências escritas mais antigas que se conhecem estão envoltas num registo mitológico e apresentam graves imprecisões. É o caso do livro "Monarchia Lusitana" (1ª ed. 1597) de Frei Bernardo de Brito, que Alexandre Herculano considerava um historiador que interpretava os factos históricos àluz do misticismo e da lenda. No referido livro, o autor discorre assim sobre a bebida: "entrando Lísias na antiga Lusitânia, ensinou a fazer cerveja de cevada, ou trigo e deste licor usaram os antigos Portugueses muito tempo, pelo pouco vinho que se cultivava neste país." Numa narrativa também ela fantasiosa, o clérigo Raphael Bluteau, de origem francesa, descreve o uso e os costumes ligados à cerveja. No seu "Vocabulario Portuguez e Latino" (Coimbra, 1712) refere: "Bebida, que se usa nas partes septentrionais, que se faz de cevada, ou com trigo, & outra cousa misturada com erva pé de gallo [lúpulo]. Tiverão os egypcios huma especie de Cerveja, a que os Antigos e particularmente Columella chamou cõ nome grego, Zythum, (...) No I vol. da Monarchia Lusitana (...) diz seu Author que Lysias quando entrou na antiga Lusitania, ensinou a fazer cerveja de cevada, com que se festejavão  os hóspedes antigamente & se bebia em seus convites e deste modo de licor usarão os antigos Portugueses muito tempo, pois ainda no de Strabo (...) havia muy pouco vinho em Lusitania".

Antes de qualquer prova segura relativa à produção de cerveja em Portugal, há pelo menos registos que atestam o seu desembarque nos portos de Lisboa e Porto proveniente do Norte da Europa. Assim, um documento menciona que no ano de 1402 teria chegado um carregamento de 2 tonéis de cerveja alemã a Lisboa; já em 1437 chega também a Lisboa uma outra embarcação com origem no porto báltico de Danzig que, entre outros artigos, trazia cerveja. O comércio da Liga Hanseática com Portugal, particularmente florescente na década de 1570-1580, veio a diminuir significativamente no século XVII, em virtude da Guerra dos Trinta Anos (1618-1648), o que reduziu drasticamente a importação de cerveja do Norte da Europa. Ainda assim, fica patente que a cerveja produzida tinha boa capacidade de conservação visto suportar viagens demoradas.

No século XVII, há já notícias de se consumir cerveja em quantidades assinaláveis, isso se reflectindo no facto de haver nessa época um local em Lisboa denominado Pátio da Cerveja, situado na antiga freguesia da Conceição Nova. No entanto, o consumo desta bebida não era tão pronunciado como em outros países europeus. Há um relato histórico curioso da chegada da Infanta D. Catarina de Bragança a Portsmouth, por motivo de se ir casar com o rei inglês. Tendo aportado a essa cidade inglesa, após uma viagem longa e difícil, ficou hospedada em King's House e aí ficou retida por algum tempo devido a uma infecção na garganta. Nessa altura, o médico da corte recomendou darem-lhe um copo de cerveja, bebida já vulgar em Inglaterra. D. Catarina recusa e com a garganta a arder e muita febre pede, em espanhol, uma chávena de chá, o que deve ter provocado uma enorme perturbação entre os presentes, pois o chá não era bebida conhecida na corte. O chá, hoje a bebida oficial do Reino Unido, foi, como sabemos, introduzida por esta nossa rainha na corte inglesa! Este pequeno apontamento serve apenas para retratar o facto da cerveja ter entrado tarde no gosto dos portugueses.

Esse facto é explicável pela forte concorrência que o vinho exercia sobre a cerveja. Veja-se nesse sentido uma queixa que foi apresentada pela Câmara de Lisboa ao rei, em 1689, contra essa bebida de baixo preço e inimiga do vinho: "Maior ruína ameaça este género (vinho), que é dos principais deste reino, se n'elles se continuar, como se vai introduzindo, a fabrica e venda de cerveja que, sendo estranha ainda, se faça natural, perderá totalmente o uso do vinho e tirará o interesse das vinhas, de que vivem os vassalos de V. Magestade (...) e se tem por certo que n'aquelles becos, junto ao Poço da Fótea, havia 6 tabernas de cerveja, e que a gastavam não só os regatãos, senão negros e homens de trabalho; no Campo Grande está uma fabrica onde se faz, e para ela devia ser uma embarcação de cevada torrada, que entrou ha pouco tempo; no sítio dos Remolares se gasta muia cerveja, e pela cidade haverá várias casas em que se vende, e foram muitas mais se não houvera as guerras que embaraçam o trazer-se. É lástima que os estrangeiros até com água choca (que para ela é melhor) [veja-se a classificação pejorativa que os defensores do vinho aplicava, à cerveja] nos tirem o dinheiro do reino; se isto se permite, muitos deixarão as vinhas e tratarão d'esta cultura que é de menos custo e mais certa a ganância, que avendem por mais de tostão a canada".

A resposta oficial chegou com a Resolução de 24 de Novembro de 1689: "Senhor - por resolução de 24 de Novembro de 1689 em consulta do Senado, sobre os danos que padeciam os reaes d'agua de contribuição do vinho, procedidas dos grandes descaminhos que se cometiam nesta cidade e seu termo, especialmente com a introdução das fabricas de cerveja, que se vendia publicamente em tabernas, de que resultava o prejuizo, de maneira que era já sensível a diminuição do seu consumo (...) por resolução de 15 do dito mez e ano, se servia, pela referência na mesma consulta, ordena, no que respeita às cervejas, se proibirá somente que se vendam em tabernas e que haja fabrica d'ela, e se poderão dispachar e usar nas casas de pasto por serem necessárias aos estrangeiros (...) e querendo-a os estrangeiros para seu gasto, a poderão mandar vir de fora, não sendo para a venda publica ou particularmente".

Ou seja, cerveja só para os estrangeiros e vinda de fora! Contudo, em documentos de 1710 já se fala novamente na produção de cerveja e os registos de entradas de mercadorias nos portos nacionais reflectem, sistematicamente, a importação de cerveja de vários pontos da Europa, nomeadamente de Inglaterra, Alemanha e França.

Na era moderna da indústria cervejeira portuguesa, duas empresas ganham claro destaque: a Centralcer e a Unicer. Por uma questão meramente alfabética vamos começar pela Central de Cervejas/Centralcer. Tudo terá começado em 1836, altura em que foi fundada em Lisboa a Fábrica da Cerveja da Trindade, instalada na Rua Nova da Trindade. A esta, várias outras se seguiram, propiciando um clima de grande concorrência entre estas pequenas empresas produtoras de cerveja. Quase um século depois, mais propriamente em 1934, nascia a Sociedade Central de Cervejas (SCC), fruto da associação da Companhia Produtora de Malte e Cerveja Portugália, da Companhia de Cervejas Estrela, da Companhia da Fábrica de Cerveja Jansen e da Companhia de Cervejas de Coimbra. Um ano mais tarde,  o património da Fábrica de Cervejas Trindade, incluindo a sua cervejaria, é integrado na SCC, sendo que a produção de cerveja desta sociedade atinge, por essa época, os 5,1 milhões de litros. A marca Sagres surgiria em 1940, aproveitando-se então o clima de relativa euforia que se vivia no país devido à realização da Exposição do Mundo Português. Procurando ocupar os diferentes segmentos de mercado, a SCC criaria em 1941 a Imperial, uma marca de luxo que ainda hoje é sinónimo de cerveja de barril servida a copo. Tendo em conta a excelente aceitação destas marcas no mercado nacional, iniciou-se a exportação de cerveja, tendo como principais destinatários os Territórios Ultramarinos. Mais uma vez o sucesso foi imediato, facto que contribuiu para a criação da CUCA - "Companhia União de Cervejas de Angola, Sarl", participada pela SCC e pela CUFP - "Companhia União Fabril Portuense".

Os anos 60 foram de grande intensidade para a SCC, não só devido à crise nas colónias, como também pelas inúmeras actividades comerciais e industriais que a sociedade levou a cabo. É dessa época o famoso slogan do poeta José Ary dos Santos: "Cerveja Sagres, a sede que se deseja". Em 1968 começa a produção na fábrica de Vialonga, a maior unidade fabril do país dedicada à produção de cerveja, garantindo a cobertura total dos mercados interno e externo. A nova fábrica, inaugurada a 22 de Junho, representou um investimento de 360 mil contos e tinha capacidade para produzir 110 milhões de litros de cerveja, 21 milhões de litros de refrigerantes e 50 mil toneladas de malte. 1969 também foi de grande importância, já que nesse ano terminou a política de condicionamento industrial que vigorava desde 1931! Tal facto possibilitou o aparecimento de novas unidades industriais e a área das bebidas não foi uma excepção. São assim constituídas a Cergal - "Cervejas de Portugal, Sarl", a Copeja, em Santarém, onde é produzida a marca Clok e a Imperial, em Loulé, onde é fabricada a Marina.

A década de 70 foi um período bastante conturbado não só para a SCC como para o próprio país. Com o 25 de Abril de 1974, muitas empresas são nacionalizadas e a SCC não foge a essa regra. Para além disso, o novo governo de Angola confisca a CUCA, pelo que grande parte da estrutura industrial do sector cervejeiro desapareceu, pelo menos do modo como o conhecíamos. A reestruturação do sector faz-se mediante uma operação de fusão, onde as cinco maiores empresas do continente são agrupadas em duas: a Centralcer – Central de Cervejas EP englobando a Sociedade Central de Cervejas e a Cergal – e a Unicer, que une a CUFP, a Copeja e a Imperial. Os anos 80 não foram inicialmente muito fáceis, devido às dificuldades do próprio país e ao incumprimento de sucessivos governos relativamente às obrigações a que se tinham comprometido com a SCC. A luz ao fundo do túnel só viria a aparecer em 1989, ano em que a cerveja Sagres se destaca como líder de mercado, com uma quota de 45%, surgindo igualmente os primeiros rumores de que o governo tinha a intenção de privatizar a empresa. Esta situação tornar-se-ía realidade em 1990, com a privatização de 100% do capital da empresa. Entrávamos então numa época de reestruturação e expansão, com o lançamento de marcas como a Jansen (sem álcool), Imperial (neste caso um relançamento) e as cervejas dos clubes Benfica, Sporting e Porto.

No novo milénio a SCC foi adquirida por um dos maiores grupos cervejeiros europeus, a Scottish & Newcastle, empresa que controla marcas como as belgas Maes e Grimbergen, a grega Mythos, a francesa Kronenbourg, entre muitas outras. Actualmente, o seu portfolio inclui as cervejas Sagres, Sagres Preta, Sagres Bohemia, Sagres Zer0% (nas versões branca e preta), Imperial, Jansen, Jansen Preta e ainda marcas internacionais como a Foster's, Grimbergen, Kronenbourg, Beamish, Bud e John Smith's. Em 2006 foi igualmente lançada a Sagres Bohemia 1835, uma edição limitada de 1 milhão de garrafas, destinada a celebrar simultaneamente um ano de sucesso da Sagres Bohemia e a data que assinala o início de produção de cerveja na Cervejaria da Trindade.

As últimas novidades passaram pela introdução da Sagres Chopp, uma cerveja extremamente leve e fresca, bem ao gosto da crescente comunidade brasileira que vive em Portugal, a Sagres Bohemia D'Ouro e a Sagres Limalight (cerveja feita com extractos naturais de limão e com baixo teor de álcool - 4,0% vol.) que existe também na versão Zer0% (sem álcool). Clique aqui para ver a evolução das garrafas da cerveja Sagres desde 1940 até à actualidade.

           

Como já referimos, a grande concorrente da Central de Cervejas é a Unicer. A sua origem remonta a 1890, época em que as seis fábricas de cerveja existentes no Porto (Fábrica da Piedade, Fábrica do Mello, M. Achevk & Cia., J.J. Chentrino & Cia., J.J. Persival & Cia. e M. Schereck) e a Fábrica de Ponte da Barca foram integradas numa única empresa, a Companhia União Fabril Portuense das Fábricas de Cerveja e Bebidas Refrigerantes (CUFP). Apesar dos problemas iniciais, como foram a mudança de instalações, a dificuldade em encontrar matéria-prima de qualidade e de adquirir o know-how necessário à elaboração de uma cerveja de categoria, a CUFP lá foi crescendo, sendo que em 1920 iniciou a contratação mão-de-obra feminina e a substituição das galeras puxadas por bois por camiões. Em 1926 começa a ser reconhecida a boa qualidade da cerveja da companhia, através da obtenção do Grand Prix e de três medalhas de ouro na Exposição Industrial que se realizou em Outubro desse ano no Palácio de Cristal. No entanto, esse ano marca também a entrada das cervejas de Lisboa no mercado do norte para concorrerem com a Christal.

Os anos 30 marcam o início da aposta da CUFP no mercado do sul do país. Para apoiar essa expansão, duas novas marcas de cerveja são lançadas: a Super Bock e a Zirta, uma cerveja morena entre a branca e a preta, logo seguidas pelo aparecimento da Nevália, uma cerveja que existiu apenas durante os anos da 2ª Grande Guerra e que serviu para preservar as outras marcas face à deficiente qualidade das matérias-primas. Em 1941 surge também a Vitória, marca da qual se venderam grandes quantidades para apoiar os soldados aliados que se encontravam em Gibraltar. Para além da aposta no mercado nacional, a CUFP também participa no capital social da CUCA, empresa de cervejas de Angola da qual já tivemos oportunidade de falar aquando da história da Central de Cervejas. O crescimento da empresa era constante e em meados da década de 50, a CUFP produzia mais de três milhões de litros e as receitas atingiam o valor recorde de 28 milhões de escudos. Por esta altura, a CUFP produzia as marcas Cristal, Super Bock, Invicta Negra, Invicta Cola, Além-Mar e Zirta.

A construção de uma nova fábrica em Leça do Balio foi um marco extremamente importante na história da Unicer, então ainda CUFP. O dia 13 de Março de 1964 marcou a data da produção da primeira cerveja preta na nova fábrica e, a 20 de Março, foi a vez da primeira cerveja branca. O aumento da produção significou também o aumento das vendas e dos lucros. Essa fase de crescimento só viria a ser limitada pela decisão de nacionalização da empresa, tomada pelo Movimento das Forças Armadas na sequência da Revolução de 25 de Abril de 1974. Seguiu-se um período de reestruturação do sector até que a 1 de Junho de 1977 o Conselho de Ministros decidiu criar duas empresas públicas para esta área, surgindo assim no final do ano a Unicer - "União Cervejeira, E.P.", resultado da fusão da CUFP com a COPEJA (localizada em Santarém) e com a IMPERIAL (localizada em Loulé) e ainda com a RICAL (fábrica de refrigerantes em Sta. Iria da Azóia). Esta nova sociedade ficou sediada nas instalações da ex-CUFP, em Leça do Balio. Ainda em 1977, as cervejas Cristal e Super Bock obtêm medalhas de ouro no concurso “Monde Selection de la Qualité”, que se realizou no Luxemburgo, sendo que, no ano seguinte, se chega a um acordo com a United Breweries para o início da produção da cerveja Tuborg.

A década de 80 é um período de consolidação da empresa, com a modernização dos processos de fabrico e distribuição e a introdução de novas marcas e novos produtos. Em 1982 foi decidido alargar a comercialização da Cristal a todo o país, ao mesmo tempo que se abandonavam as marcas Clok e Marina. E em 1986 a empresa torna-se mesmo líder de mercado, com uma quota de 50,8%. Três anos após este marco histórico, a empresa é privatizada, sendo vendido 49% do seu capital, numa acção que decorreu na Bolsa de Valores do Porto. Um ano depois seriam vendidos os restantes 51%. Deste modo, no início dos anos 90 a empresa tornava-se totalmente privada. Entretanto, novos produtos foram lançados como sejam os casos da Carlsberg, da Nautic Light (cerveja de baixas calorias), da Cheers (cerveja sem álcool), da Tuborg 7.2º e da Cool Beer, marcas que permitiram à firma reforçar a sua posição de empresa líder do sector. Actualmente, a Unicer comercializa as marcas: Super Bock, Super Bock Stout, Super Bock Green, Super Bock Twin, Cheers, Cheers Preta, Carlsberg, Cristal (nas versões branca e preta; existiu também uma Cristal Weiss que durou pouco tempo nomercado) Tuborg 7.2º, Clok (relançada em 2002), Guinness, Tetley's e Kilkenny. Já em 2006, surgiram no mercado a cerveja Super Bock Abadia, a Super Bock Cool e a sidra Decider, a primeira sidra comercializada em larga escala de uma das maiores marcas portuguesas. Houve igualmente o relançamento da marca Marina, um nome com tradição no panorama cervejeiro nacional.

As últimas apostas desta companhia foram a Super Bock Tango, uma cerveja com sabor a groselha, que é também uma novidade em termos de estilo de cerveja em Portugal e a nova família de cervejas sem álcool, inicilamente designadas por Twin. Neste caso, para além da Lager normal, detacam-se a Preta sem álcool e a Pêssego sem álcool. Esta última é um verdadeiro exemplo de inovação, associando uma bebida sem álcool ao crescente mercado das cervejas com sabor. Para além do mais, são produtos com 0% de álcool, facto que merece destaque já que muitas cervejas que se dizem sem álcool têm sempre um percentagem residual que ronda os 0,4-0,5% ABV.

               

Relativamente a outras marcas, a sua luta continua a ser a criação de produtos suficientemente atractivos, capazes de derrubar esses dois pesos-pesados que são a Sagres e a Super Bock. Um desses primeiros esforços foi feito pelas cervejas Cintra. Após ter lançado um grande empreendimento industrial no Brasil, o empresário Sousa Cintra constituiu a "Drinkin - Companhia de Indústria de Bebidas e Alimentação, S.A.", empresa que visa a produção e comercialização de cervejas e refrigerantes em Portugal. Após a instalação de uma unidade fabril na zona de Santarém, esta firma passou a produzir a Cintra Pilsen, cerveja do tipo pale lager, dourada, fresca e leve. No entanto, as dificuldades em conquistar quota de mercado fizeram com que a administração decidisse vender o negócio que tinha em Portugal à Iberpartners, do empresário Jorge Armindo, conservando, todavia, a marca e produção no Brasil. A nova gerência manteve a marca e os produtos antes comercializados, a saber: a Cintra Pilsen, a Cintra Preta (tipo Munich) e a Cintra Dunkel, tendo entretanto desaparecido a designação Cintra Mulata.

Muito recentemente, mais concretamente no ano 2000, surgiu mais uma marca portuguesa no mercado, a Tagus, fabricada pela Cereuro, em Viseu. Esta empresa faz parte do Grupo Sumol e, para além da Tagus, produz também a Magna e a bem conhecida Grolsch. Tal facto não é de estranhar pois esta firma holandesa possui uma parte do capital da Cereuro e partilhou o know-how cervejeiro com a empresa portuguesa. A Tagus é uma cerveja de puro malte de cevada, apostando na sua qualidade para defrontar os dois gigantes do mercado cervejeiro português: a Sagres e a Super Bock. Já a Magna é uma cerveja escura, ao género de uma Schwarzbier, com sabor a malte torrado, café e caramelo. No ano de 2004 a Cereuro produziu perto de 9,2 milhões de litros de cerveja.

Na Madeira, a data de maior relevo será por certo o ano de 1872, altura em que foi constituída, por iniciativa de Henry Price Miles, a sociedade "H.P. Miles & Cia., Lda.", que tinha como objectivo a produção de cervejas e refrigerantes (leia mais aqui). Passando por altos e baixos, esta empresa conseguiu subsistir de uma forma independente e isolada, já que só em 1926 viria a ter concorrência real, dado o surgimento da sociedade "Araújo, Tavares e Passos, Lda". Contudo, um mercado tão pequeno como era o da ilha da Madeira, levou a que estas duas empresas se fundissem, acto ao qual também aderiu a "Leacock Cia, Lda". Deste modo, em 1934 surgiria a "Empresa de Cervejas da Madeira, Lda", cuja principal unidade industrial se situava na Rua Alferes Veiga Pestana, no centro do Funchal. Actualmente, a ECM é conhecida pelos refrigerantes Brisa e pelas cervejas Zarco e Coral, sendo que esta última marca veria a luz do dia em 1970. Esta pale lager, hoje também largamente comercializada no continente e em países como a Austrália, Angola e Inglaterra, é uma imagem de marca da Madeira. A ECM é também detentora da "Fábrica de Cervejas e Refrigerantes João de Melo Abreu, Lda", empresa produtora de cervejas nos Açores, com produtos como a Melo Abreu Especial e a Melo Abreu Munich.

Actualmente, o mercado nacional é dominado pelos dois grandes fabricantes: a Unicer e a Centralcer, os quais controlam aproximadamente 90% do sector. Possuem diferentes marcas que ocupam os vários segmentos de mercado, desde marcas regionais como a Clok, passando pelas cervejas sem álcool Jansen, Cheers, Twin e Zer0%, cervejas mais populares como a Sagres, Superbock e a Cristal e cervejas de gama mais elevada como a Carlsberg ou a Bohemia. Comercializam também cerveja em barril para consumo imediato em locais de venda. O consumo em Portugal continua a crescer e as empresas, atentas a esse fenómeno, vão lançando novos produtos, capazes de satisfazer os consumidores habituais e trazer para o convívio dos apreciadores desta bebida aqueles a quem uma cerveja clássica não satisfaz. Exemplo disso é o surgimento de estilos de cerveja diferentes daqueles a que estamos habituados, nomeadamente a Sagres Bohemia, a Cristal Weiss ou a Cintra Mulata, entre outras.

Algumas outras marcas estão, com certeza, no imaginário de muitos portugueses. Falar na Laurentina, na Cuca ou na 2M não deixa de avivar a memória aos milhares de portugueses que passaram por  África sendo que, ainda hoje em dia alguns me confidenciam, não havia cerveja que se comparasse à Cuca ou à Laurentina, consoante tivessem vivido em Angola ou Moçambique. A Laurentina, antigamente produzida pela Fábrica de Cerveja Reunidas, é hoje fabricada pela Cervejas de Moçambique (SABMiller), que produz também a Laurentina Preta, a 2M e a Manica. Pela minha parte, recordo-me bem da Sagres Europa, da Bohemia (não confundir com a actual Sagres Bohemia) e da Topázio, por exemplo. Se tiver alguma marca que aqui não esteja e da qual queira partilhar a sua história ou as suas experiências, CONTACTE-NOS.

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