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A CERVEJA NA FÓRMULA 1

Em todo o mundo o mercado cervejeiro constitui-se como uma forte fonte de rendimentos para os diversos meios de comunicação social, fruto das inúmeras campanhas publicitárias que as companhias produtoras de cerveja lançam todos os anos. Portugal não foge a essa regra, com as principais cervejarias a investir no apoio a eventos desportivos, musicais, entre outros.

Um cenário muito querido dos criativos publicitários que trabalham para as empresas cervejeiras envolve praias paradisíacas, mulheres com pouca roupa e, lá no fim, o produto que se quer promover. Tal tipo de publicidade, muito típica em países da América Central e do Sul, tem vindo a ganhar um número crescente de detractores, que acusam as campanhas de promover a mulher-objecto, de serem discriminatórias e pouco informativas. Na verdade, os enredos desses filmes publicitários são sempre muito similares, pouco ajudando na divulgação do produto e da própria cultura cervejeira.

Ainda assim, há campanhas muito imaginativas, não sendo difícil descobrir anúncios nacionais e internacionais que são verdadeiras obras de criatividade e arte. Basta, para isso, fazer uma rápida pesquisa em sites como o youtube ou o metacafe. Por outro lado, alguns eventos são, desde há largos anos, apostas frequentes das companhias cervejeiras. Nesse âmbito, lembro-me de um desporto que desde muito novo acompanhei (agora cada vez menos, dado os monopólios televisivos) e que funcionou por diversas vezes como modo de divulgação de marcas de cerveja: a Fórmula 1 (F1). Se bem que associemos mais a F1 à veiculação de produtos como marcas de tabaco, lubrificantes ou empresas tecnológicas, o certo é que a cerveja sempre fez parte das pinturas de muitos dos bólides que aceleraram por circuitos míticos como Monza, Spa-Francorchamps ou Hungaroring.

Curiosamente, a bebida que associamos à F1 é o champanhe, quase sempre presente nas cerimónias de pódio. Não obstante, muitas das equipas mais famosas tiveram, como dissemos, patrocínios de empresas cervejeiras. Os adeptos da F1 por certo se recordarão da magnífica equipa da Williams do início da década de 90, com pilotos como Nigel Mansell e Alain Prost e que era patrocinada pela canadiana Labatt. Ou então a equipa campeã de 1995, a Benetton, com Michael Schumacher e o patrocínio da alemã Bitburger. Os exemplos são inúmeros e passam por marcas como a Warsteiner (Arrows e McLaren), a Beck's (Jaguar), a Miller (Lotus), a Guinness (March), a Veltins (Williams), a Kronenbourg (Larrousse), etc.

Todavia, nos últimos anos tem-se assistido a um divórcio entre as marcas de cerveja e a F1, não porque as primeiras tenham perdido o interesse nesse desporto automóvel mas essencialmente devido às crescentes restrições que diversos países, em especial os europeus, impõem à publicidade de determinados produtos, casos do tabaco e das bebidas alcoólicas. Não é por isso de estranhar que o “circo” da F1 se esteja a deslocar para países menos tradicionais nesta disciplina mas onde há mais dinheiro e as limitações publicitárias não são tão acentuadas. É o que acontece na Turquia, na Malásia ou em Singapura, para apenas mencionar alguns países. Apesar dessa deslocalização, as restrições impostas nos países europeus motivou o desinteresse de muitas marcas, restando actualmente poucos elos de ligação entre a indústria cervejeira e a categoria rainha do desporto automóvel. Assim, no último campeonato do mundo destaque para a escuderia indiana Force India, cujos principais patrocinadores eram uma conhecida marca de whisky e a Kingfisher, uma cerveja também ela de origem indiana. Para além deste caso, os restantes patrocínios cervejeiros limitaram-se a apoios pontuais a pilotos ou apostas em corridas específicas.

Para além deste apoio directo às equipas, algumas companhias também apostaram na publicidade estática e, nesse campo, a campeã durante muitos anos foi a australiana Foster's. Fosse no Grande Prémio da Austrália, no da Grã-Bretanha ou no da Bélgica, lá estavam sempre cartazes da Foster's a colorir as pistas e a enquadrar o movimento rápido dos monolugares. Mas também essa tradição se perdeu, lá para o ano de 2006, em virtude da tentativa de redução de custos da empresa e de uma mudança na sua estratégia de marketing, que conduziu ao crescente interesse por outras áreas de divulgação, nomeademente a plataforma da internet. Tristemente célebre ficou também uma outra publicidade estática, no caso da francesa Kronenbourg. Foi no final de um painel dessa marca que o monolugar de Ayrton Senna embateu no fatídico Grande Prémio de São Marino de 1994.

A Fórmula 1 está a mudar e o mercado cervejeiro também, o que se reflecte necessariamente nas opções publicitárias das empresas. Dos anos áureos de 70 e 80, período em que chegou a existir uma escuderia chamada Warsteiner Brewery, até à actualidade, a cerveja ficará indelével na história deste deporto automóvel, fazendo assim parte, por mérito próprio, do séquito que constitui o chamado “circo da Fórmula 1”.

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