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CERVEJA, ÁLCOOL E MEDICAMENTOS

O consumo de bebidas alcoólicas pode, em muitos casos, ser prejudicial em situações em que estamos a ser medicados com algum tipo de fármaco. Se é verdade que em inúmeros casos o consumo de cerveja ou vinho não interfere nos efeitos da medicamentação, o melhor será evitar tomar esse tipo de bebidas durante os períodos em que se está a realizar um qualquer tipo de tratamento.

O consumo de álcool e os medicamentos podem interagir de três maneiras diferentes:

  • Os medicamentos podem diminuir a velocidade de eliminação do álcool no nosso corpo. Esse facto pode originar sintomas desagradáveis, nomeadamente rubor acentuado, náuseas, dores de cabeça, baixa pressão arterial ou palpitações.

  • As bebidas alcoólicas podem diminuir ou aumentar a longevidade da substância ativa do medicamento no nosso organismo. Não só podem originar que a substância permaneça mais tempo do que o desejável, com eventuais perigos de overdose ou, ao invés, promover a sua libertação mais rapidamente do que o expectável.

  • O álcool pode aumentar os efeitos e os efeitos secundários de certos medicamentos.

E como é que um consumidor pode saber da perigosidade da junção entre um determinado medicamento e as bebidas alcoólicas? Em primeiro lugar consultando o seu médico ou farmacêutico. Ninguém melhor do que estes profissionais saberá dizer dos riscos que existem relativamente à junção entre álcool e o medicamento prescrito. Em segundo lugar pode-se sempre recorrer à bula do medicamento, que comumente alerta para os perigos da combinação entre o álcool e a substância ativa em causa.

QUE TIPO DE MEDICAMENTOS?

O consumo de bebidas alcoólicas tem efeitos diferentes consoante a espécie de medicamento que estejamos a falar. Sumariamente, podemos fazer as seguintes divisões:

  • Analgésicos/Medicamentos contra a dor: Alguns analgésicos entorpecem o cérebro de uma maneira similar ao álcool. Este último pode intensificar os efeitos secundários das substâncias ativas do medicamento, originando frequentemente sonolência, descoordenação e dificuldades respiratórias. Alguns destes medicamentos podem causar irritação da mucosa gástrica e, consequentemente, queixas no estômago, casos, por exemplo, do ácido acetilsalicílico (Aspirina), ibuprofeno, diclofenac ou naproxen. A conjugação destes medicamentos com álcool pode assim atacar fortemente o revestimento do estômago. Por outro lado, estes medicamentos tendem a tornar o sangue menos espesso, o que significa que o sangue demora mais tempo a coagular no caso de ocorrer alguma hemorragia. A combinação de álcool com estes medicamentos pode resultar num sangramento mais prolongado, visto que o álcool dilata os vasos sanguíneos. Há que ter cuidados acentuados se o paciente for portador de alguma doença hepática.
  • Anti-inflamatórios: De acordo com a FDA (Food and Drug Administration), organismo norte-americano de supervisão na área do medicamento, não existem problemas entre a toma de anti-inflamatórios e o consumo moderado de bebidas alcoólicas. Eventualmente o álcool poderá agravar distúrbios do aparelho digestivo, nomeadamente no estômago. Acima de tudo aconselha-se a consulta do médico e a adoção das regras e cuidados que este indique.
  • Antialérgicos ou Anti-histamínicos: Os anti-histamínicos mais antigos tinham a tendência de causar forte entorpecimento, descoordenação e falta de concentração. O álcool pode aumentar esses efeitos quando combinado com substâncias como a dexclorfeniramina, a difenidramina ou a mebidrolina. Todavia, ainda não há estudos científicos que comprovem claramente a influência do álcool em antialérgicos de nova geração como a loratadina, a terfenadina, a cetirizina ou a fexofenadina.
  • Antiepilépticos: Uma bebida alcoólica ocasional não tem influência no número de ataques epilépticos de uma determinada pessoa. No entanto, com substâncias como a carbamazepina, a fenitoína ou a fenobarbitona, os seguintes efeitos secundários podem ser intensificados pelo consumo de álcool: sonolência, descoordenação e falta de concentração. Tendo isto em consideração e desde que o seu médico nada tenha a objetar, não existe impedimento em que beba uma bebida alcoólica de vez em quando.
  • Medicamentos redutores do nível de açúcar no sangue: Caso tenha diabetes, quando bebe álcool corre o risco de ficar com baixos níveis de açúcar no sangue. Por conseguinte, e para se proteger, nunca beba álcool com o estômago vazio. Tente seleccionar bebidas que tenham baixo teor de álcool e de açúcares. Se gosta de beber cocktails e misturar bebidas, opte por produtos sem açúcar, casos dos refrigerantes sem açúcar, usualmente denominados de “diet” ou “0% sugar”. Isto ajudará a manter os seus níveis de açúcar dentro dos parâmetros pretendidos. Ainda que o álcool tenha poucos ou nenhuns efeitos na insulina ou noutros redutores do açúcar no sangue, o consumo de bebidas alcoólicas deve fazer-se com grande moderação e depois de se ter aconselhado com o seu médico. Há mesmo diabéticos que devem abster-se por completo da ingestão de bebidas alcoólicas.
  • Antidepressivos: O álcool pode aumentar o efeito estupefaciente dos medicamentos antidepressivos. É muito importante ter este aspeto em atenção quando se conduz veículos ou participa em atividades que requerem uma forte dose de atenção.
  • Antipsicóticos: O álcool pode aumentar a intensidade dos seguintes efeitos secundários: sonolência, descoordenação e falta de concentração. Mais uma vez é de extrema importância assumir cuidados redobrados no caso de se ir realizar alguma atividade que requeira elevado nível de concentração.
  • Tranquilizantes e medicamentos para o sono: Efeitos idênticos aos mencionados para os antidepressivos e antipsicóticos.
  • Antibióticos: É de todo desaconselhado tomar bebidas alcoólicas com antibióticos baseados em metronidazol ou cetaconazol (antimicótico, antifúngico). Dada a grande variedade de substâncias antibióticas e o risco na sua má utilização, é sempre aconselhável consultar o seu médico ou farmacêutico em caso de dúvida.

Pelo que atrás se disse rapidamente se conclui que a junção entre medicamentos e álcool não é positiva. Mas obviamente que cada caso é um caso razão pela qual a total inibição no consumo de bebidas alcoólicas nem sempre é necessária. Acima de tudo há que seguir as indicações do médico e do farmacêutico que o acompanham. Só estes poderão dizer se o consumo de bebidas alcoólicas é tolerável enquanto um determinado paciente está a ser medicado.

Bibliografia:

  1. Buhner, Sthephen Harrod, "Sacred and herbal healing beers: the secrets of ancient fermentation". Siris Books:1998

  2. Kleinman, Mark et al.,  "Drugs and Drug Policy: What Everyone Needs to Know". Oxford University Press: 2011.

  3. TEST GEZONDHEID No.56, August-September 2003

  4. http://www.beerandhealth.be

Publicado a 19/05/2012

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