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A HISTÓRIA DA MELO ABREU

A companhia Melo Abreu obteve uma licença para o estabelecimento de uma fábrica de cerveja no longínquo ano de 1892, mais propriamente no dia 4 de Maio. Aliás, para sermos mais rigorosos, a empresa inicialmente chamava-se apenas Melo & Cª e a concessão alargava-se também a refrigerantes. Segundo a documentação da própria firma, os primeiros fornecimentos de garrafas e barris datam logo de Junho de 1892, o que denota que, aquando da sua formação, a companhia já se encontrava bem preparada para iniciar o processo produtivo.

A cerveja Melo Abreu teve um sucesso quase imediato, surgindo mesmo anúncios a publicitar o produto, como este de 8 de Maio de 1893 no Diário de Anúncios: "Fábrica de Cerveja de Melo & Cª. Excelente cerveja a 30 réis o copo. Faz-se abatimento para revender." Aliás, a imprensa local classificava esta cerveja de "boa e baratíssima". Para tal, muito contribuiu a presença de mestres-cervejeiros estrangeiros, apesar de no final do século já se encontrar um técnico micaelense, José Domingues, aos comandos da produção.

Infelizmente, o século XX não trouxe os sucessos inicialmente previstos e, entre 1901 e 1903, a laboração cervejeira teve mesmo de ser interrompida. Os altos e baixos mantiveram-se, até que na década de 30 as dificuldades financeiras se agravaram o que levou a que um número substancial de quotas da companhia passassem para as mãos da Empresa de Cervejas da Madeira (ECM) e da Empresa Madeirense de Tabacos. Finalmente, a Melo Abreu foi nacionalizada em 1975, situação que se manteve até à passagem de parte do seu capital, novamente, para as mãos da ECM, ficando o restante em poder do Governo Regional dos Açores (GRA). Tudo voltaria à sua forma pré-nacionalização, quando em 1991 a ECM adquiriu os restantes 20% ao GRA, ficando assim a deter a totalidade do capital social da Melo Abreu. Em 1990, as vendas de cerveja atingiram os 51.620hl, numa quota de mercado regional de 36%, com as seguintes marcas: Melo Abreu Especial, Concha, Preta Doce e Sagres (sob franchising).

Em 2006, o grupo Unicer e a Melo Abreu anunciaram a criação de uma nova unidade fabril, infra-estrutura que representaria um investimento de 30 milhões de euros, sendo que cada uma das empresas ficaria com 46% do capital social da nova fábrica enquanto que os restantes oito por cento ficariam nas mãos de instituições financeiras. Previa-se que a nova unidade industrial teria uma capacidade de produção de 15 a 20 milhões de litros. Apesar deste acordo, o novo presidente da Unicer, Pires de Lima, decidiu revogá-lo invocando a redifinição de estratégia da marca que detém a Super Bock. A administração da Unicer decidiu-se assim pela concentração de toda a produção do grupo em Portugal Continental, mantendo ainda a intenção de, quando as autoridades locais aprovarem, expandir o fabrico de cervejas para Angola.

Actualmente, para além dos refrigerantes Kima e Laranjada, a Melo Abreu produz as seguintes marcas de cerveja: Especial, Extra-Especial, Munich e Preta Doce.

Fonte:

  • Manuel Ferreira, Os Cem Anos da Melo Abreu, Ponta Delgada, Edição da Fábrica de Cervejas e Refrigerantes Melo Abreu, 1993.
  • Manuel Paquete, A Cerveja no Mundo e em Portugal, Colares Editora.

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