links favoritos

 

 

Há ou não há ostras numa Oyster stout?

Sinceramente, pode haver e também pode não haver. Mas vamos aos factos. No apogeu das cervejas escuras, fossem elas Porters ou Stouts, não havia quase nenhum inglês que não bebesse alguns pints por dia. De facto, no início da era Vitoriana e durante grande parte da Revolução Industrial, as cervejas pretas eram companheiras do dia-a-dia e uma forma de compensar os trabalhadores pela dureza das tarefas e pelo clima agreste a que estavam sujeitos. Curiosamente e, ao contrário do que acontece hoje em dia, as ostras eram, por essa altura, um produto corrente e barato, pelo que era habitual uma pessoa beber uma cerveja num pub ou taberna acompanhada por um prato de ostras. Ou seja, algo ao género dos nossos tremoços ou amendoins! As ostras eram um excelente acompanhamento para as Stouts dado que o salgado nelas existentes contrastava na perfeição com as carecterísticas deste estilo. Todavia, no início do século XX as cervejas pretas tinham perdido grande parte do seu fulgor, enquanto que as ostras começavam a escassear e se tornavam num produto exclusivo e caro. Apesar disso, este feliz casamento entre as ostras e as Stouts nunca caiu no esquecimento, como se pode constatar pelas marcas que ainda hoje existem.

               

Deste modo, uma primeira abordagem a esta questão mostra-nos que não existem ostras numa Oyster Stout. Esta designação utiliza-se apenas para demonstrar a excelente parelha gastronómica que estes produtos constituem. No entanto, a história não acaba aqui. De facto, há relatos de que, em 1928, uma companhia neozelandesa adicionou mesmo ostras a uma Stout que estava a produzir. De um modo mais concreto, sabe-se também que a Hammerton de Londres e a Castletown Brewery da Ilha de Man também produziram Oyster Stouts com a adição de ostras. Tal inseria-se num movimento muito em voga a seguir à 2ª Guerra Mundial, época em que as cervejas nutritivas estavam em alta. Para além do mais, as ostras traziam vários benefícios ao produto final, já que as conchas, sendo por natureza alcalinas, funcionavam como um anti-ácido, o que ajudava a equilibrar certas Stouts e, para além disso, pareciam criar uma espuma mais cremosa, com maior retenção e sem qualquer cheiro ou sabor a peixe/molusco. Esta tradição de produzir cerveja com ostras ainda hoje se mantém num pequeno número de cervejeiras.

Assim se constata que, não só antigamente como ainda nos nossos dias, coexistem Oyster Stouts que são elaboradas com e sem ostras. No caso das "sem ostras", podemos destacar a Marston's Oyster Stout, uma cerveja produzida por uma bem conhecida companhia inglesa, localizada em Burton upon Trent e que produz cervejas famosas como a Pedigree ou a Old Empire. Esta cerveja, apesar de não conter as ostras, acompanha-as muito bem, dado o seu carácter suave e cremoso (com 4,5% ABV) e um equilíbrio correcto entre o sabor dos cereais torrados e o amargo do lúpulo. Já no campo das Stouts realmente elaboradas com ostras, mencione-se a Ventnor Oyster Stout, uma cerveja bastante agradável e em que a presença das ostras apenas se nota ligeiramente no aroma. Por forma a que não subsistam dúvidas, deve-se acrescentar que a quantidade de ostras utilizadas na produção destas cervejas é ínfima, sendo que a sua utilização se pode fazer através da adição do sumo das ditas ou mesmo fazendo a infusão de um pequeno número destes deliciosos moluscos na cerveja quando esta está em fase de elaboração.

Finalizamos com mais algumas marcas de cervejas deste estilo: Fordham Blue Point Oyster Stout, Porterhouse Oyster Stout, Rogue Oyster Cloyster Stout e a Whitstable Oyster Stout.

Publicado a 04/04/2007

Google