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algumas considerações sobre a ressaca

Não há nada pior após uma noite bem passada, do que acordar indisposto, com dores de cabeça, boca seca e desconforto geral. A chamada ressaca atinge do mesmo modo miúdos e graúdos, bebedores experientes e novatos, homens e mulheres. Quem é que nunca tentou arranjar uma boa cura para ultrapasar mais rapidamente o período de ressaca? De facto, remédios e mezinhas para esta forma de indisposição são às centenas, sendo que se uns podem ter um efeito positivo, outros há que são meros placebos.

Pela minha experiência, existe apenas uma medida preventiva que é infalível com qualquer pessoa e que evita todas as formas de ressaca: a abstinência total de bebidas alcoólicas. Quem conseguir aplicar esta regra pode ficar sossegado para o resto da vida relativamente às ressacas. E não só: terá, com certeza, menos problemas de saúde, já que todo o nosso organismo sofre com a ingestão excessiva de álcool, em especial os rins e o fígado. Todavia, como grande parte de nós não consegue cumprir esta simples medida, caso contrário não estaria eu a escrever e vocês a ler este texto, podemos aligeirar a regra anterior e aplicar uma forma de prevenção menos drástica: nunca beber o suficiente para se ficar bêbado. Deste modo, as ressacas serão raras ou mesmo inexistentes.

Mais uma vez, como há ainda alguns de nós que têm dificuldades em resistir ao convite de um bom whisky ou de uns cocktails com vodka, resta-nos tentar encontrar soluções para minimizar os excessos. O problema é que, a partir deste ponto, são muitas as variáveis com que temos que lidar. A começar pelo tamanho, peso, idade e metabolismo de cada pessoa, o que origina que um determinado remédio possa ser útil a um determinado indivíduo e que já não tenho efeitos noutro. Outro factor de risco é a velocidade com que se bebe. Quanto mais depressa se bebe, pior serão os efeitos da bebida e consequente ressaca.

Mas, antes de mais, é importante compreendermos o que origina a ressaca e quais os seus efeitos fisiológicos. Uma das principais consequências do excessivo consumo de álcool é a desidratação. De facto, o álcool origina a evaporação de uma parte substancial da água do nosso corpo, que rapidamente se ressente da falta deste elemento vital. Por outro lado, o álcool em excesso pode tornar-se numa droga depressiva, o que origina que os nossos nervos estejam num elevado nível de hipersensibilidade. Finalmente, todos aqueles líquidos que ingerimos ajudam a criar uma situação de falta de vitaminas e nutrientes, elementos que ajudam a estimular as nossas defesas naturais.

Depois do mal estar feito, o que se pode fazer? Acima de tudo, há que repousar e evitar quaisquer estímulos nervosos. Ao mesmo tempo, deve-se comer algo que reponha os nutrientes que entretanto perdemos. Tal significa ingerirmos frutas e vegetais e não comida gorda ou género fast-food: o nosso sistema digestivo já sofreu o suficiente para ter de passar por uma nova provação. As bananas, por exemplo, são uma excelente opção, pois são bastante neutrais para o estômago e possuem vitaminas essenciais. Beber água, sumos naturais ou chá também pode ajudar. Estas são algumas das coisas que podemos fazer depois dos excessos. Mas também nos podemos prevenir em relação àquelas noites em que sabemos que, quase de certeza, vamos exagerar. Assim, é importante não começar a beber com o estômago vazio e hidratar o nosso organismo mesmo antes de sair. Águas, sumos e bebidas género Gatorade servem para o efeito. Já durante o consumo de bebidas alcoólicas, continua a ser importante intercalar estas com sumos naturais ou água.

Há um aspecto bastante importante e que se deve realçar. O consumo excessivo de bebidas alcoólicas faz mal ao nosso organismo e pode, em situações limite, conduzir à morte. Deste modo, caso esteja com alguém que bebeu demais e que comece a tremer, a ter dores de estômago ou que apresente sangue no vômito, está na altura de recorrer urgentemente a um hospital ou médico. Acredite, as mortes por overdose alcoólica não são assim tão pouco comuns. Deve-se também evitar o uso de analgésicos para as dores de cabeça. As aspirinas e medicamentos com paracetamol podem agravar os sintomas da ressaca e, em conjunto com o álcool, são um cocktail explosivo para o nosso fígado. Neste caso, os únicos comprimidos aceitáveis são os complexos multivitamínicos, que podem ajudar a repor alguns dos nutrientes que entretanto se perderam na urina. O café também pode ser altamente prejudicial, pois a cafeína ajuda a alterar o nosso sistema nervoso e é também um produto diurético, o que ajuda no processo de desidratação.

Como forma de conclusão e para tornarmos este artigo menos enfadonho, falta abordar algumas das receitas caseiras que, de pais para filhos, amigos para inimigos, abstémios para alcoólatras, têm passado de boca em boca e que, segundo muitos, são a solução divina para ultrapassar mesmo a mãe de todas as ressacas. É claro que eu, pessoalmente, não as experimentaria. Mas se alguém for corajoso o suficiente para as tentar, aqui ficam pois algumas dessas mezinhas:

  • O Bloody Mary: 1/4 de vodka + 3/4 de sumo de tomate + 1 gotas de molho Worcestershire + 1 pitada de tabasco (duvidosa esta receita: álcool e picante para combater uma ressaca!!!).
  • Logo pela manhã, tomar um bom banho quente, de imersão, e acabar com uma chuveirada de água gelada! O choque de temperaturas anima qualquer um!
  • Mais um cocktail: 5 cl de azeite + 1 ovo + leite. Sirva num copo alto, misture e já está (pelo menos deve ajudar a vomitar...).
  • Abrir uma lata de ananás, comer uma rodela do fruto e beber o sumo. A água, as vitaminas e o açúcar ajudam a ultrapassar as dificuldades matinais.
  • 1 colher de sopa de mel, seguida de um Alka Seltzer ou uma vitamina C em comprimidos efervescentes, seguida novamente de 1 colher de sopa de mel.
  • Ir até ao aeródromo mais próximo, apanhar um jacto e lançar-se de pára-quedas desde os 10 mil metros de altitude. O ar puro faz milagres!
  • Café + água tónica + sumo de laranja + umas colheres de mel.
  • o Black Velvet: 1/2 Guinness + 1/2 champanhe extra-seco (Isto bebia-se bem antes da ressaca! Agora depois!!!???).
  • Bacon + Ovos + Queijo. Em separado ou em omolete, esta bomba calórica e de colesterol sempre foi um dos métodos favoritos para curar qualquer ressaca.
  • Ao acordar, ler o 1º capítulo do Guerra e Paz, ao mesmo tempo que se houve a 7ª de Beethoven e se bebe um leitinho com chocolate (quem é que se lembrou desta?!).

Publicado a 23/03/2007

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