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benefícios de um consumo moderado de cerveja

A cerveja é uma bebida saudável e que faz parte da dieta do Homem desde tempos ancestrais. Sendo muitas vezes olhada como uma bebida dos pobres e inferior ao vinho, tem vindo a crescer não só em termos de qualidade como também de consumo. Desde as extraordinárias cervejas com frutos da Bélgica, passando pelas Porters e Stouts de Inglaterra ou pelas Malt Liquor norte-americanas, é hoje bem nítido que elas não são apenas boas para beber, como também fazem bem à nossa saúde, desde que consumidas moderada e regularmente, isto é, não mais de 2 garrafas de 25cl a 33cl por dia. De facto, há muita publicidade que se refere aos benefícios do vinho na saúde, levando a que as pessoas considerem que apenas esta bebida nos trará bem-estar. Todavia, a cerveja, tal como o vinho, contem um grande número de componentes, entre os quais antioxidantes e vitaminas, provenientes dos cereais maltados empregues, pelo que podem ser igualmente benéficas para a saúde.

O consumo moderado de cerveja, vinho e bebidas espirituosas, ao contrário do que acontece com o consumo excessivo e com a abstenção, pode proteger as pessoas de doenças cardiovasculares, como por exemplo ataques de coração e algumas formas de trombose (1), conforme já foi demonstrado em muitos estudos feitos um pouco por todo o mundo. Deste modo, estima-se que a ingestão de 30g de álcool por dia (cerca de 3 copos de cerveja), pode reduzir o risco de doenças coronárias em 25% (2). A explicação para esta situação reside no facto de a quantidade de colesterol no sangue (HD2, o bom colesterol) aumentar quando se consome álcool, diminuindo assim o risco de doenças. Investigações realizadas mostram que 2 copos de cerveja por dia (20g de álcool) pode aumentar o colesterol HDL na ordem dos 4% (3). É claro que o consumo em excesso não vai fazer este valor subir, indo, ao invés, provocar vários problemas noutros sistemas do nosso organismo. Outra explicação para os benefícios atrás descritos baseia-se na tendência que existe para a redução do aparecimento de coágulos no sangue quando se consome álcool (4). Outras investigações foram efectuadas no sentido de se aferir da influência do consumo de álcool em certo tipo de doenças. Deste modo, obtiveram-se resultados que evidenciam que o consumo moderado de cerveja ou vinho pode proteger contra a formação de pedra na vesícula (5), osteoporose (6) e até a diabetes (7). Contudo, deve realçar-se que o facto de bebermos dois copos de cerveja  não evitará por completo o aparecimento de qualquer uma das doenças atrás mencionadas. Outros factores como o controlo do peso, uma dieta equilibrada ou o exercício físico regular são também essenciais para uma melhor qualidade de vida. 

a cerveja como elemento de uma dieta saudável

Por outro lado, a cerveja pode contribuir positivamente para uma dieta saudável. A sua produção, efectuada a partir de cereais como a cevada maltada, o lúpulo, o trigo, o arroz ou o milho, ajudam ao estabelecimento de uma dieta equilibrada. Para além destes ingredientes, a cerveja é basicamente água (cerca de 93%), constituindo pois uma fonte excepcional deste bem essencial à vida, servindo igualmente para saciar a sede. Como já atrás ficou dito, a cerveja pode integrar uma dieta equilibrada, fornecendo vitaminas essenciais e diversos sais minerais (8), podendo realçar-se o seu elevado teor de potássio e baixo valor de sódio, indispensável a uma tensão sanguínea normalizada (9). Tem baixo teor de cálcio e é rica em magnésio o que ajuda à protecção contra a formação de pedra na vesícula. Contém, igualmente, compostos do lúpulo, activos na prevenção da descalcificação óssea.  Isto pode ser uma das razões pela qual o consumo diário de cerveja (33cl de cerveja ± igual a cerca de 13g de álcool) tem sido referido como capaz de reduzir em 40% o risco de formação de pedra nos rins (10).

Para além de todos os benefícios já mencionados, outros há que não são de menor importância. Por exemplo, está provado que quem bebe cerveja conscienciosamente, fica fortemente protegido contra a acção nefasta do Helicobacter Pylori, elemento causador de úlceras estomacais e que pode ser um factor de risco para o cancro do estômago (11). A cerveja é ainda uma fonte de fibra solúvel, derivada das paredes das células dos grãos de cevada maltada. Um litro de cerveja contém, em média, 20% da dose diária recomendada de fibra, chegando algumas a fornecer 60% (12). Além de ajudarem a uma saudável função intestinal, as fibras têm uma acção benéfica ao encurtarem o tempo de digestão e absorção dos alimentos, para além de reduzirem os níveis de colesterol o que, por sua vez, diminui o risco de doenças do coração (13).

A lista de efeitos benéficos que o consumo moderado de cerveja pode trazer à nossa saúde é vasta e encontra-se em constante crescimento. Os estudos sobre os diversos ingredientes que a compõem, levam a descobertas que estão longe de ser imaginadas pela maior parte de nós. No entanto, facilmente se percebe que, tendo em conta os produtos que servem para elaborarmos uma cerveja, muitas outras virtudes poderão ser investigadas nos próximos anos. Para já, sabe-se que a cerveja é uma excelente fonte de vitaminas, sendo especialmente rica em vitaminas do grupo B, como por exemplo a niacina, a ribofalvina, a piridoxina e os folatos. De facto, a piridoxina (vitamina B6) dá uma protecção adicional aos seus consumidores contra as doenças cardiovasculares, comparativamente com o que acontece aos consumidores de vinho e bebidas espirituosas (14). Por seu lado, os folatos também têm uma acção protectora contra as doenças cardiovasculares e certos tipos de cancro (15), sendo que para este último facto também contribui a existência de antioxidantes, provenientes da cevada maltada e do lúpulo (16). A cerveja contém, por bebida (de teor equivalente de álcool), mais do que duas vezes os antioxidantes do vinho branco e apenas metade dos que contém o vinho tinto. Contudo, muitos dos antioxidantes do vinho tinto são constituídos por moléculas de elevado peso que, por isso, não são tão facilmente absorvidas pelo organismo como as moléculas mais pequenas presentes na cerveja. Para além do mais, recentes investigações demonstraram que certos antioxidantes (flavanóides do lúpulo) têm capacidade para ajudar na luta contra o cancro (do tracto gastrointestinal, do peito e tiróide, pelo menos) (17).

A cerveja é uma mistura complexa de centenas e centenas de constituintes, originários das matérias-primas empregues e das transformações que se dão durante a sua produção. Muitos desses componentes são bioactivos, podendo, assim, influenciar a saúde do consumidor. Destacam-se os que provêm do lúpulo, que são conhecidos por conferir uma actividade sedativa, estrogénica, inibidora de crescimento de tumores de dependência hormonal, bacteriostática e anti-inflamatória, diurética, etc. (18).

beber cerveja engorda?

É habitual associar-se o consumo excessivo de cerveja com situações de obesidade, nomeadamente o aparecimento de uma barriga dilatada. Se é verdade que beber cerveja em grandes quantidades pode ajudar à distenção dos músculos da barriga, não o é menos dizer-se que isso também se deve ao facto dos grandes consumidores de cerveja serem, em geral, pessoas com um estilo de vida menos saudável. A realidade é que beber cerveja não engorda, desde que o seu consumo seja parte integrante de uma dieta equilibrada e se faça com moderação às refeições (19). Como é facilmente constatável, para uma quantidade idêntica de cerveja, um yogurte de fruta, um copo de leite ou um sumo de maçã têm muitas mais quilocalorias, sendo, esses sim, produtos que podem contribuir para um aumento da massa corporal, independentemente de também serem produtos saudáveis e essenciais ao nosso bem-estar.

Recentemente, realizou-se um estudo em Espanha que mostrou que os bebedores regulares de cerveja não ganham, obrigatoriamente, peso. De facto, o consumo moderado de cerveja significou 4% das calorias totais das dietas dos homens e 3% das das mulheres. O estudo evidenciou ainda que quem bebe cerveja com moderação tem uma dieta de maior qualidade nutricional que os não consumidores, uma vez que ingerem uma maior quantidade de ácido fólico e outras vitaminas do grupo B, essenciais para a prevenção de certas enfermidades e para garantir uma correcta alimentação (20). Também em Portugal se fizeram várias pesquisas para aquilatar das qualidades da cerveja. Na busca do equilíbrio cervejeiro, o Dr. Manuel Rocha de Melo, da Faculdade de Ciências da Alimentação e Nutrição da Universidade do Porto, debruçou-se sobre as propriedades nutricionais da cerveja e concluiu que contém vitaminas do complexo B, polifenóis, fibra solúvel, minerais e álcool, frequentemente esquecidos pela dieta ocidental, que exercem benefícios na prevenção de várias doenças. Para além disso, o facto de ser pobre em lípidos e açúcares, leva-o a concluir que esta bebida pode ser, se (e apenas se) consumida de forma moderada, integrada numa dieta saudável. Conheça, pois, a composição desta refrescante poção:

1 - 93% de água. Os adultos necessitam de mais de dois litros de água por dia. Comparada com outras bebidas alcoólicas, a cerveja combate melhor a sede pelo seu alto conteúdo de água, que compensa os efeitos desidratantes do álcool.

2 - Álcool (etanol) 3,4%-9%. Se for ingerido em doses moderadas, o álcool contribui para evitar a acumulação de gordura nas paredes arteriais.

3 - Hidratos de carbono 2% a 3%. Proporciona cerca de 15 g da maior fonte de energia do corpo humano.

4 - Calorias. 33 cl de uma cerveja normal contêm cerca de 150 kilocalorias, menos 60 do que um refrigerante de cola, com a vantagem acrescida de não provocar cáries. Com certeza que 9 em cada 10 dentistas lha recomendariam.

5 - Gorduras. Zero... tinha dúvidas?

6 - Magnésio (48 mg, 12% da DDR*) e silício (6 mg). O consumo de cerveja associa- se a uma maior densidade mineral nos ossos, actuando como factor preventivo face à osteoporose.

7 - Potássio (190 mg, 12% da DDR). Compensa a perda excessiva deste mineral através da urina, importante na prevenção das cãibras musculares.

8 - Vitamina B12 (0,8 mcg, 48% da DDR). Produz serotonina e dopamina, as duas substâncias químicas responsáveis pela sensação de bem-estar.

9 - Vitamina B2 - Riboflavina (8% da DDR). Contribui para o crescimento da pele, do cabelo e das unhas e também actua como cicatrizante.

10 - Vitamina B5 - Ácido Panthoténico (4% da DDR). Sintetiza os lípidos e o açúcar dos alimentos. Essencial para digerir as batatas bravas.

11 - Vitamina B3 - Niacina (6 mcg, 8% da DDR). Ajuda a queimar os hidratos de carbono e as gorduras, e atrasa a formação de cabelos brancos.

* Dose Diária Recomendada

Finalmente, deve ser lembrado que há situações em que consumir bebidas alcoólicas representa um risco e é completamente desaconselhado, nomeadamente durante a gravidez (clique aqui para ler mais sobre o assunto), antes de conduzir ou trabalhar com máquinas, antes de praticar desporto ou quando se está a seguir certo tipo de medicação. Os benefícios anteriormente referidos não têm por objectivo encorajar as pessoas a beber cerveja ou qualquer outra bebida alcoólica. Antes se destinam a, através de diferentes estudos, demonstrar o facto cada vez mais comprovado de que a cerveja pode ser benéfica para a saúde das pessoas. Deste modo, pretende-se, apenas, informar e reafirmar àqueles que a apreciam que, quando consumida moderadamente, a cerveja não apresenta riscos para a saúde, podendo até significar uma ajuda para a manutenção de uma vida saudável  por parte do consumidor.

OUTROS ARTIGOS SOBRE CERVEJA E SAÚDE

Estes são alguns dos artigos publicados no Cervejas do Mundo relacionados com a cerveja e a saúde:

links sobre o tema

http://www.drinkaware.co.uk - Site inglês sobre beber com responsabilidade

http://www.ibesa.pt - Instituto de Bebidas e Saúde

http://www.beerandhealth.com - Portal belga

http://www.ireb.com - Institut de Recherches Scientifiques sur les Boissons

http://www.spcna.pt - Soc. Portuguesa de Ciências da Nutrição e Alimentação

http://www.cervezaysalud.com - Cerveja e Saúde, site espanhol

referências bibliográficas

(1) Fagrell B, De Faire U, Bondy S et al. (1999). "The effects of light to moderate drinking on cardiovascular diseases". Journal of Internal Medicine, 246:331-340.

(2) Rimm EB, Williams P, Fosher K, Criqui M, Stampfer MJ. (1999). "Moderate alcohol intake and lower risk of coronary heart disease: meta-analysis of effects on lipids ans haemostatic factors". British Medical Journal, 319:1523-1528.

(3) McConnell MV, Vavouranakis I, Wu LL, Vaughn DE, Ridker PM. (1997). "Effects of a single daily alcoholic beverage on lipid and haemostatic markers of cardiovascular risk". American Journal of Cardiology, 80:1226-8.

(4) Gorinsten S, Zemser M, Lichman I, et. al. (1997). "Moderate beer consumption and the blood coagulation in patients with coronary heart disease". Journal of Internal Medicine, 241(1):47-51.

(5) Leitzmann MF, Giovannucci EL, Stampfer MJ, et al. (1999). "Prospective study of alcohol consumption patterns in relation to symptomatic gallstone disease in men". Journal of Clinical and Experimental Research, 23(5):835-841.

(6) Charles P, Laitinen K, Kardinaal A (1999). "Alcohol and Bone". In "Health Issues Related to Alcohol Consumption", second edition. Edited by Ian MacDonald, Blackwell Science Ltd.

(7) Rimm EB, Stampfer MJ, Colditz GA, Willett WC. (1995). "Prospetive study of cigarette smoking, alcohol use, and the risk of diabetes in men". British Medical Journal, 310:555-559.

(8) Fuller RK, Littell AS, Witschi JC et. al. (1971). "Calorie and nutrient contribution of alcoholic beverages to the usual diets of 155 adults". American Journal Clinical Nutrition, 24(9):1042-1052.

(9) Piendle A, Wagner I. (1986). "Beer and health - Part I. Effect of diet on high blood pressure". Brauindustrie, 71(5):205-206, 208-209.

(10) Hirvonen T, Pietinen P, Virtanen M, ey al. (1999). "Nutrient intake and use of beverages and the risk of kidney stones among male smokers". America Journal of Epidemology, 150:187-194.

(11) Brenner H, Rothenbacher D, Bode G, Adler G, (1997). "Relation of smoking and alcohol and coffee consumption to active helicobacter pylori infection: Cross sectional study". British Medical Journal, 315:1489-1492.

(12) Gromes R, Zeuch M, Piendle A. (1997). "Weitere Untresuchungen ueber den Ballaststoffgehalt von Bieren". [Further studies on dietary fibre in beer]. Brauwelt, 137:90-93.

(13) Bell S, Goldman VM, Bistrian BR et al. (1999). "Effect on b-Glucan from oats and yeast on serum lipids". Critical Reviews in Food Science and Nutrition". 39(2):189-202.

(14) Van der Gaag MS, Ubbink JB, Silanaukee P, Nikkari S, Hendriks HFJ (2000). "Effect of consumption of red wine, spirits and beer on serum homocysteine". The Lancet, 355:1522.

(15) Zhang S, Hunter DJ, Hankinson SE, et al. (1999). "A prospective study of folate intake and the risk of breast cancer". Journal of the American Medical Association, 281:1632-7.

(16) Lapcik O, Hill M, Hampl R, Wahala K, Adlercreutz H. (1998). "Identification of isoflavonoids in beer". Steroids, 63(1):14-20.

(17) Arimoto-Kobayashi S, Sugiyama C, Harada N, et al. (1999). "Innhibitory effects of beer and other alcoholic beverages on mutagenesis and DNA adduct formation induced by several carcinogens". Journal of Agricultural and Food Chemistry, 47(1):221-230.

(18) De Keukeleire D., conferência nº3, II Beer and Health Symposium, Brussels, OCT 2001 (Ghent University, Faculty of Pharmaceutical Sciences, Belgium).

(19) Borys JM, Bagrel A, Pelletier X, Debry G. (1994). "Bière et poids: la fin des idées reçues?". Expansion Scientifique Française.

(20)  Jornal "O Progresso", Espanha, de 20-05-2003.

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