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vamos falar com... a CERVEJARIA WALS

A mineira Wals é uma cervejaria que nasceu no final dos anos 90, tendo como objectivo a produção de cervejas de qualidade. Durante alguns anos apenas comercializou chope, tendo recentemente lançado um novo tipo de cerveja, uma dubbel. Esta cerveja passa por duas fermentações, sendo que a segunda ocorre na garrafa. A elegância é a marca predominante do aspecto desta Wals Dubbel. Eis a entrevista que fizemos a Tiago Carneiro, um dos sócios da Wals.

 

CervejasDoMundo (CdM) - A Wals já tem alguns anos no mercado. Como surgiu a ideia de instalar a cervejaria?

Cervejaria Wals (CW) - O sonho nasceu com a abertura de mercado nos anos 90. Revistas especializadas européias anunciavam micro cervejarias que ocupavam pequenos espaços físicos e a possibilidade de produção de pequenos e variados tipos de cerveja. Bem diferente do conceito de cervejaria no Brasil até então, poucas e imensas fábricas, mercado monopolizado, um tipo de cerveja clara e outra escura.

Naquele momento éramos varejistas, com 12 pontos de venda, um misto de Fast Food de sanduíches e Pub. Tínhamos mercado garantido, e esta foi a senha para a abertura.

CdM - Foi difícil encontrar o equipamento necessário para iniciar a produção ou acha que o mercado brasileiro já tem bons fornecedores de materiais para as cervejarias?

CW - No final dos anos 90, pequenas indústrias paulistas já ofertavam ao mercado micro cervejarias, e também profissionais remanescentes das grandes cervejarias ofereciam formulações e treinamento operacional. Juntamos as duas coisas e iniciamos  no final de 2001. Hoje, tanto equipamentos quanto matéria prima de qualidade evoluíram bastante.

CdM - O Estado de Santa Catarina, devido à forte presença de descendentes alemães, está na vanguarda do desenvolvimento das microcervejarias que produzem cervejas de qualidade. Mas em Minas Gerais o fenômeno é mais recente. Como foi a reacção em Belo Horizonte ao surgimento da Wals?

CW - Na  verdade, boa parte das micro cervejarias mineiras são contemporâneas das catarinenses. O público do sul, devido aos imigrantes europeus é que aceitou prontamente os novos tipos de cerveja, Ale, Dunkel, Stout, etc. Em Minas, o público estranhou sabor, aroma, amargor e cor. Foi um festival de críticas negativas, além da decepção, fomos obrigados a declinar ao projeto inicial de fabricarmos uma Pilsen, uma  Stout e uma Ale. Voltamos para a mesmice de uma Pilsen, mas com alto padrão de qualidade.

CdM - Neste momento, é já possível degustar o chopp Wals em locais como as Lojas Bang Bang, a Chopperia Tiradentes ou o Restaurante Monte Cielo, entre outros. Prevêm alargar a distribuição ou irão manter a venda do Wals num pequeno número de locais selecionados?

CW -  Continuamos com a mesma política de poucos e selecionados clientes. Temos um pequeno negócio, portanto devemos ser cuidadosos ao aumentar mercado. Todos os detalhes para manter qualidade , tratamento personalizado e eficiência  do relacionamento com os clientes é que garantirão a longevidade da cervejaria. Além dos pontos de degustação citados, devemos acrescentar outros como o tradicional restaurante Maria das Tranças e a Choperia Tapas.

CdM - Durante bastante tempo a Wals apenas produziu chopp, nas variedades escuro e claro. Foi, por isso, com grande surpresa e satisfação que vimos o surgimento da Wals Dubbel. Qual o conceito subjacente a esta cerveja?

CW - Também estamos surpresos com a qualidade final da Wäls Dubbel. Muitos cuidados foram tomados como escolha de vasilhames, rolhas, rótulos, processos de produção e envase.

CdM - No vosso site há uma frase com o seguinte teor: "Aguardem os próximos lançamentos!!!". Podemos esperar novidades da Wals para 2008?

CW - Sabemos que o nicho de mercado é pequeno no Brasil, mas pelo entusiasmo, uma Quadrupel e uma Tripel  sairão do papel em 2008.

CdM - A Wals Dubbel tem um aspeto magnífico. Na sua opinião, qual a importância da publicidade e do marketing para as vendas de uma cerveja?

CW - Agradecemos o adjetivo “magnífico” e esperamos o retorno degustativo do público alvo. Todo projeto pelo menos tem que ser bem aceite pelos formadores de opinião para valer a pena o risco. O marketing aberto sempre foi e sempre será importante em qualquer lançamento de produto. Entretanto, este é um produto focado em apreciadores. Vamos ter que formar quase um pequeno fã clube de apreciadores. Alguém aqui vai ter que ter bom fígado para participar do marketing corpo a corpo.

CdM - A Wals Dubbel vai-se posicionar num mercado ainda muito pouco explorado, onde talvez se insiram apenas a Falke Monasterium e a Eisenbahn Lust. Todavia, o consumidor brasileiro está habituado a cervejas muito leves, pouco alcoólicas e bastante geladas, algo que contraria o conceito desta Dubbel, que tem um teor alcoólico de 7,5% e cuja temperatura de consumo recomendada é de 9-12º C. Como tem sido a reacção dos consumidores e de que modo acha se poderá alterar essa ideia de que cerveja boa tem de estar "estupidamente gelada"?

CW - Todas as afirmações acima estão corretas. Felizmente, com a facilidade de comunicação,  poderemos ter muitas impressões pessoais sobre o produto. Está muito cedo para termos uma opinião formada.

CdM - Para além da Wals, que outros estilos e marcas você costuma beber?

CW - Temos o costume de enfileirar diversas variedades, de países diversos. Brincamos internamente de “educação sensorial”. Tem muita gente competente. As cervejas Belgas são excelentes. Não é a toa que parodiamos o estilo. Parodiar em grande estilo é sinal de bom gosto.

CdM - A cerveja industrial, pelo forma com é produzida, acaba por ser um produto bem barato. Como se convence um consumidor a comprar uma cerveja artesanal que é, em geral, um produto significativamente mais caro?

CW - A proposta de trabalho é bem diferente das grandes cervejarias. Vai ser muito gostoso ver brasileiros acostumados ao estilo “estupidamente gelado” degustando nossos produtos. A proposta é nova, vale a pena esperar.

CdM - Água, malte e lúpulo. Acha que a Reinheitsgebot (Lei da Pureza) ainda é uma norma importante ou não passa de um mero documento histórico?

CW - A Lei da Pureza, de 1516, não deixa de ter seu valor histórico. Também o ser humano não pode deixar de ser criativo. O que ocorre de diferente no mundo é fruto desta necessidade de criar, e isso é perfeito.

CdM - A Wals é reconhecida por produzir chopp de qualidade. Haverá a possibilidade de ver algum dia o chopp da Wals engarrafado, ou os prazos de validade do produto não permitem isso?

CW - Acreditamos estar fazendo um bom produto, comercialmente falando. Engarrafar nosso chopp ainda não entrou em nossos planos.

CdM - Seus desejos e planos para o futuro da Wals Chopp?

CW - Fazer bem feito. Produzir com carinho, produzir com qualidade e bom gosto.

Para saberem mais sobre a Cervejaria Wals, podem ir ao site da companhia clicando aqui ou então ao novo site da Wals Dubbel.                                  

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