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vamos falar com... A CERVEJARIA WHITEHEAD

A mais recente entrevista que realizámos e que, assim, estreia o ano de 2009, foi com a Cervejaria Whitehead, de Eldorado do Sul - RS. Os proprietários e também responsáveis por todo o processo de fabricação e distribuição da cerveja são os amigos Alexandre Carminati, João Carlos Kerber e José Otávio Kerber. Agradeço toda a atenção dispensada pelo Alexandre Carminati, e convido agora os nossos leitores a ficarem a conhecer um pouco melhor a Cervejaria Whitehead.

CervejasDoMundo (CdM) - Como começou o seu interesse pela cerveja e, em especial, por cervejas diferenciadas? 

Cervejaria Whitehead (CW) - Começou por volta de 1986 quando, por força de um plano econômico, passamos a consumir cervejas muito ruins no Brasil. Nessa época eu me indagava se não seria possível produzir boas cervejas ainda que em pequena quantidade, recebendo feedbacks positivos de amigos que vindos da Europa me diziam haver lá muitos pubs com cerveja produzida localmente.  

CdM - Ainda se lembra da primeira cerveja que produziu?

CW - Apesar do interesse ter surgido em 1986, por motivos de espaço e tempo, somente em 1999 produzi minha primeira cerveja.  Lembro bem dela, apesar de eu tentar me convencer que estava boa, nenhum amigo aprovou-a. Realmente não era boa, não há como comparar com a que produzimos hoje.

CdM - Foi muito difícil passar de um hobby de amigos para algo mais sério como uma microcervejaria? Houve dificuldades legais, na aquisição de equipamento ou outras? Presumo que tenham existido alguns dias com poucas horas de sono... 

CW - Essa etapa é a mais difícil. A troca de pequenas bateladas por volumes maiores não obedece fielmente a uma escala linear de dificuldades. O preço dos equipamentos e a legislação Brasileira para área de bebidas são dois grandes dificultadores para este ramo de negócios. 

CdM - A Whitehead hoje se situa em Eldorado-RS. Mas tudo começou em Porto Alegre. Algum motivo especial para essa mudança?

CW - Mudamos para Eldorado do Sul dadas as facilidades oferecidas para nossa instalação fabril nesta localidade. É uma cidade pequena na periferia de Porto Alegre, mas oferece acesso mais fácil que muitos bairros industriais. 

CdM - Algumas cervejarias e microcervejarias brasileiras fazem publicidade aos seus produtos referindo que eles respeitam a Reinheitsgebot (Lei da pureza). No entanto, todos sabemos que grande parte das cervejas belgas, inglesas ou estado-unidenses não respeitam essa lei e nem por isso deixam de ser das melhores do mundo. Onde se coloca a Whitehead nessa discussão?

CW - Hoje, baseado no que acontece com algumas excelentes cervejas Belgas e Inglesas, nós da Whitehead não temos a preocupação de seguir uma lei alienígena sob o pretexto que só assim se consegue uma boa cerveja. Usamos sim, muito malte e também nobres grãos não maltados, carbohidratos e algumas especiarias para conferir aroma e sabor, sem abrir mão da qualidade do produto.

CdM - Vocês produzem uma witbier, uma pale ale, uma porter, uma irish ale e agora também uma barley wine (Super 8). Têm planos para lançar uma nova Whitehead num futuro próximo?

CW - Estamos sempre estudando alguma possibilidade nova, mas não há nada definido ainda. 

CdM - Curiosamente, a vossa microcervejaria aposta em cervejas ale, ao contrário das grandes cervejarias que continuam a apostar em macro lagers. Tem sido difícil conquistar o consumidor? Já estou imaginando perguntas sobre o depósito no fundo da garrafa ou o facto da witbier ser turva... 

CW - Por sorte, e por força do movimento nacional em prol das cervejas artesanais, o mercado e os consumidores já estão se acostumando a estas características típicas da refermentação em garrafa. O sabor e o aroma destas cervejas é tão bom que características menores como turbidez ou sedimentos não chegam a ser um problema. 

CdM - A Whitehead vende os seus produtos essencialmente na zona de Porto Alegre. A elaboração de cervejas especiais de forma artesanal limita a vossa área de distribuição ou têm planos para a alargar as vendas a outras áreas?

CW - Nossa limitação hoje diz respeito unicamente ao volume que conseguimos produzir. Esperamos poder aumentar essa produção tão logo possível. 

CdM - Nos últimos anos, foram criadas inúmeras microcervejarias no Brasil, a maior parte delas produzindo cerveja de grande qualidade. Todavia, como em tudo que tem sucesso, têm surgido novas empresas e marcas que usam e abusam dos termos cerveja artesanal, cerveja especial e afins, sem que o seu produto faça juz a essas designações. Não se corre o risco de se estar a descredibilizar todo o mercado? 

CW - Infelizmente nossa legislação é omissa nesse aspecto, chegando ao ponto de não reconhecer o termo “Cerveja Artesanal”; assim, há a possibilidade de empresas maiores, que seguramente não se qualificariam como artesanais, colocarem seus produtos no mercado e iludindo os consumidores. Em função disto e de outras distorções, começa a haver um movimento político das cervejas artesanais no Brasil com vistas a organizar o segmento.  

CdM - A harmonização entre cerveja e comida é um dos melhores métodos para se mostrar aos menos conhecedores a versatilidade que as cervejas podem atingir. Como sei que também dá grande importância a esse aspecto, vou-lhe pedir a sua opinião sobre esse assunto e que nos indique um prato que se adeque a cada uma das cervejas da Whitehead.

CW -

Pale Ale – Carnes brancas e vermelha grelhadas (especialmente porco e cordeiro), frios, sanduíches abertos, pizzas, saladas e sopas ;

Witbier – Peixes, frango e grelhados leves, sanduíches, saladas e sopa;

Porter - Pratos de sabor intenso, queijos fortes e principalmente doces a base de chocolate e/ou nozes;

Irish Ale – Tábuas de frios, sanduíches condimentados, frios defumados e comida mexicana e tailandesa;

Super 8 – Aperitivos ou como acompanhamento de sobremesa. 

CdM - Na sua opinião, o que falta ao Brasil para existir uma cultura cervejeira forte e dinâmica?

CW - Já existiram no país e, principalmente, no Rio Grande do Sul, inúmeras pequenas cervejarias, mas todas foram compradas e fechadas pelas grandes indústrias do setor. Hoje, com a disseminação da informação, há uma vontade muito grande de experimentar novos produtos, e isso conduz os consumidores para os produtos artesanais. Por isso, no nosso entender, é uma questão meramente de tempo. 

CdM - Como mestre-cervejeiro, há ainda algum sonho que lhe falte concretizar? Existe algum estilo de cerveja que você gostasse de ver na gama das cervejas Whitehead?

CW - Na realidade, não temos um mestre-cervejeiro formado oficialmente e todo nosso conhecimento é auto-didata. Um sonho, hoje ainda um pouco distante, é o de cursar alguma escola cerveira renomada, visando aperfeiçoar teoricamente aquilo que já dominamos na prática.

CdM - Para além das Whitehead, que outras cervejas gosta de beber? Tem um estilo preferido?

CW - Quando cita-se nomes corre-se o risco de esquecer alguma boa cerveja, por isso vou dizer apenas que apreciamos muito as cervejas artesanais que nos rodeiam e sempre que possível bebemos alguma.

CdM - Tem algum livro sobre cerveja que sempre o acompanha?

CW - Com certeza, o “How to Brew” de John Palmer está sempre presente!

CdM - Projectos e expectativas para o futuro da Cervejaria Whitehead.

CW - Nossa expectativa é continuar crescendo e produzindo nossas cervejas com o mesmo cuidado e qualidade hoje empregados.

Mais informações sobre a empresa, sua história, pontos de venda, contatos e outros assuntos sobre a companhia, podem ser obtidas no site da Cervejaria Whitehead.

 

 

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