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vamos falar com... A CERVEJARIA WOLKENBURG

Na magnífica zona de Cunha-SP encontramos uma das mais pequenas microcervejarias brasileiras, onde a arte de produção e a qualidade das cervejas são fatores sempre presentes. Fruto do trabalho do mestre-cervejeiro Thomas Rau e com a colaboração da sua esposa Heike, a WolkenburG produz excelentes cervejas que respeitam a Lei da Pureza de 1516. Destaque também para a Oktoberfest da cidade de Cunha, onde é possível degustar deliciosas receitas alemãs acompanhadas pelas cervejas elaboradas de modo tradicional.

O meu obrigado ao casal Thomas e Heike pela sua simpatia e que continuem a produzir cerveja de qualidade durante muitos e longos anos.

CervejasDoMundo (CdM) - Como é que um alemão de Speyer se apaixona pelo Brasil e aí decide começar a produzir cerveja? 

Cervejaria WolkenburG (WG) - Fui convencido pela minha esposa, uma paulista, a me mudar para o Brasil e tentar a vida por aqui. Me apaixonei pela simpatia e hospitalidade, pela natureza e pela abundância de espaço que existe no Brasil. Com relação à produção de cerveja, na Alemanha o segmento das “Hausbrauerein” – ou seja, cervejas artesanais - está saturado e no Brasil apenas começando… vi isto como uma chance, um desafio. Além disto, o povo brasileiro é doido por cervejas!

CdM - Conte-nos, por favor, como começou o projeto WolkenburG e os passos mais significativos no seu crescimento até à atualidade?

WG - A primeira etapa consistiu na realização de testes para identificar o gosto do povo brasileiro. Esta fase durou mais de um ano e foi muito divertida. Familiares, amigos, vizinhos e moradores da cidade de Cunha, sem distinção de classe, foram convidados a participar (não faltaram voluntários). Adaptei as minhas receitas ao gosto nacional. Ao mesmo tempo procurámos fornecedores de equipamento, desenvolvemos as embalagens, preparámos as instalações… Todos estes passos foram significativos. E continuamos nesta linha de evolução, construindo agora um centro de visitantes que será usado também como área para o Oktoberfest… 

CdM - Algum motivo especial para a escolha de Cunha-SP como área de implantação da cervejaria? A qualidade da água foi um fator determinante?

WG - Além de a região dispor de água em abundância, esta apresenta uma composição química extremamente favorável à produção da nossa cerveja. A Estância Climática, como o nome revela, apresenta temperaturas estáveis e amenas durante o ano todo. A localização, o clima e a abundância e qualidade da água foram fatores determinantes para situar a nossa microcervejaria artesanal. Temos também laços familiares com esta cidade, os avôs maternos da minha esposa viveram por muitos anos em Cunha, os pais e tios também decidiram abandonar o ritmo acelerado de São Paulo e se estabeleceram por aqui, muitos amigos fizeram o mesmo. Cunha é muito bem situada, entre os grandes centros São Paulo e Rio de Janeiro. A cervejaria fica somente a 23 km do mar, das ilhas de Paraty. Vários fatores influenciaram a nossa escolha.  

CdM - Atualmente produzem a Dunkel, a Weiss e a Fit. Existem projetos para lançar novos estilos, nomeadamente alguns bem caraterísticos da Alemanha como uma kolsch ou uma smoked?

WG - Não, atualmente não existem projetos nesta direção. A nossa produção é muito limitada e não permite uma grande variedade. Inicialmente planejei apenas dois tipos: Weiss e Dunkel, mas o público pediu uma terceira variante, mais leve e com menos álcool e por isso aceitei desenvolver a Fit. Com três cervejas totalmente diferentes creio satisfazer o gosto da maioria dos nossos apreciadores. Obviamente sempre vão existir pessoas que gostariam de outros tipos - o mercado das cervejarias artesanais está em franco desenvolvimento e oferece uma gama bastante diversificada. Quem procura, certamente acha o seu tipo!

CdM - Existem planos para alargar a área de distribuição das cervejas da WolkenburG ou o segredo da qualidade reside no número limitado de litros que produzem mensalmente?

WG - Correto e bem formulado. Naturalmente uma produção limitada como a nossa facilita um controle rígido de qualidade e também propicia um contato direto com o cliente, um diferencial. Não existem planos para ampliar a área de distribuição, mesmo porque a minha cerveja não recebe adição de produtos químicos, o que limita a validade do produto e exige cuidados especiais quanto à conservação.

CdM - A maior parte das microcervejarias do Brasil têm de importar não só os equipamentos como muitas das matérias-primas, como o lúpulo ou os maltes de especialidade. Como foi com a WolkenburG: tiveram de importar o equipamento? Os ingredientes também são importados?

WG - A WolkenburG teve a grande sorte de encontrar um parceiro nacional, da região de Marília, que aceitou o desafio de desenvolver o equipamento de acordo com os meus desejos. Algumas coisas tiveram que ser adaptadas depois de instaladas, mas a empresa conseguiu nos entregar um equipamento comparável ao das grandes cervejarias, em tamanho “micro”. Ou seja, atendeu plenamente o meu pedido. Já as matérias-primas são importadas da Alemanha. Somente o malte pilsen é de produção nacional.

CdM - Pessoalmente, sempre que vou à Alemanha tento tomar uma smoked (gosto muito das Aecht Schlenkerla) e uma Berliner Weiss (minha namorada toma “mit schuss”). Tem algum estilo de cerveja preferido e porquê? 

WG - O meu estilo preferido é este que produzo. Talvez porque seja o estilo da região na qual me criei. Gosto muito da kölsch, e também das cervejas do norte da Alemanha, extremamente amargas. Mas no dia-a-dia, quando penso em cerveja volto às raízes...

CdM - A WolkenburG produz cerveja ao estilo alemão, respeitando a Reinheitsgebot. Ainda assim, você aprecia cervejas que não cumprem os requisitos da Lei (como a maior parte das belgas ou inglesas), ou prefere apenas aquelas que só utilizam malte, água e lúpulo?

WG - Dou preferência a cervejas produzidas de acordo com a lei de pureza. Por vários motivos. Na Alemanha o consumidor não está acostumado a aceitar outro produto, exige que as cervejas sigam esta filosofia e não é só uma questão de sabor, é a certeza de um produto natural, sem aditivos ou manobras que minimizem o tempo de produção, aumentem o teor alcoólico e outros. Também pensando de maneira sustentável, damos preferência ao produto local, produzido e vendido ao redor das igrejinhas de cada cidade, um produto que não é exposto a longas viagens e traz danos ao meio ambiente – cada vez mais esta filosofia do “natural e local” vem se estabelecendo em outros segmentos na Europa, vide carne ou verduras orgânicas. A cerveja, através da lei de pureza de 1516, já possui longa tradição neste tipo de tratamento; a indústria alimentícia em geral vem retomando esta filosofia. Admiro muito algumas outras cervejas que não seguem este estilo, mas em geral sou alemão e gosto do nosso produto.

CdM - A Alemanha é um dos países com uma das culturas cervejeiras mais desenvolvidas do mundo. O que acha que falta para que o Brasil atinja um nivel de desenvolvimento semelhante?

WG - Conhecimento. Na minha opinião é uma questão de tempo e teremos uma grande variedade de cervejas especiais espalhadas por todo o país – como aliás já vem acontecendo. A lei da oferta e procura já determina que grandes cervejarias se preocupem em oferecer mais qualidade. Muitos ainda não sabem o que é uma boa cerveja, mas este é um caminho de mão única. Experimentando um produto diferenciado as pessoas ficam mais críticas. E exigem mais. E o mercado tende a evoluir, a aprender e a se especializar.

CdM - Para além da fábrica, em que outros locais já se pode degustar uma WolkenburG?

WG - Na cidade de Cunha existem vários restaurantes e algumas pousadas que oferecem a nossa cerveja.

CdM - Conte-nos um pouco sobre a Oktoberfest da cidade de Cunha. Que atrações se podem encontrar?

WG - Fora a nossa cerveja, em forma de chopp, mas também garrafas de 600 ml estaremos oferecendo especialidades da culinária alemã, como Eisbein, Sauerkraut, Kassler, Fleischkäse, Weisswürste, Bretzel, pães produzidos com a cevada utilizada na cervejaria, além do famoso Apfelstrudel como sobremesa. Minha sogra, que é austríaca, tem ampla experiência nesta área e comandou por vários anos a cozinha do Clube Bragança, Zona Norte de São Paulo, durante o Maifest e Oktoberfest (nosso 1º Oktoberfest da cidade de Cunha estará acontecendo todos os finais de semana do mês de Outubro, incl. o feriado do dia 12/10, das 10:00 – 17:00 horas. Para evitar transtornos, as pousadas vem organizando vans que funcionam como ônibus, levam e trazem as pessoas das pousadas ou pontos centrais da cidade de Cunha para a cervejaria e de volta, de forma a evitar que nossos visitantes corram riscos desnecessários depois de degustar uma ou mais cervejas...).  

CdM - Planos e projetos para o futuro da WolkenburG?

WG - Convidamos outras duas cervejarias, também artesanais e locais para participar do Oktoberfest. A idéia é divulgar a região como uma nova opção “cervejeira” – atualmente as cervejarias artesanais estão concentradas no sul do Brasil, o que torna a viagem longa e inviável para o final de semana de um paulistano ou carioca. Acreditamos que a nossa região tem grande potencial! 

Existe um novo projeto em desenvolvimento, denominado Estrada da Cerveja - viagem temática pelas microcervejarias da região, incluindo palestras, cursos, degustações e naturalmente uma paisagem de tirar o fôlego, muitas caminhadas e até um banho de mar! O programa inclui toda a família (quadrúpedes também são bem-vindos) e une um público com uma afinidade forte, a cerveja. Observamos que existem muitas comunidades cervejeiras, em todos os estados. Ou seja, as pessoas amantes da cerveja são sociáveis, gostam de trocar experiências, tem um networking exemplar. Elas naturalmente são o nosso público predileto!


Mais informações sobre a empresa, sua história, pontos de venda, contatos e outros assuntos podem ser obtidas no site da Cervejaria WolkenburG.

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